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    Vídeo mostra agressões momentos antes de delegado matar esposa e enteada em Curitiba

    O delegado Erik Busetti está preso desde março de 2020 após confessar o duplo feminicídio. Apesar disso, mesmo detido, ainda consta como servidor ativo e recebe salário de R$ 26 mil pelo cargo

    Imagens de câmeras de segurança mostram Erick Busetti momentos antes de matar esposa e enteada
    Imagens de câmeras de segurança mostram Erick Busetti momentos antes de matar esposa e enteada Reprodução

    Victor Aguiarda CNN*

    Vídeos registrados por câmeras de segurança mostram os últimos momentos de Maritza Guimarães da Costa, 41, e Ana Carolina de Souza, 16, antes de serem mortas pelo delegado Erik Busetti, em um crime cometido em março de 2020.

    Erik foi preso em flagrante no dia do crime e admitiu ter cometido os feminicídios. No entanto, quase quatro anos depois, ainda não há uma decisão da Justiça. O júri popular está previsto para acontecer no dia 15 de maio de 2024. Nas imagens, divulgadas recentemente, é possível ver o policial discutindo e agredindo as mulheres minutos antes de atirar contra elas. Veja o vídeo:

     

    O policial se entregou à polícia logo após o ocorrido. De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil na época, a filha do casal, de 9 anos, estava dormindo em um quarto durante a ação. Após fazer os disparos, Busetti a retirou do local e deixou na casa de uma vizinha, pedindo para que chamasse a polícia, pois iria se entregar.

    Procurada pela reportagem para comentar o novo desdobramento, o advogado do delegado, Cláudio Dalledone, afirmou que “mais do que olhar a chuva, é importante explicar como a nuvem se formou, e a defesa irá justificar o porquê do desencadeamento daquela tragédia”.

    Delegado não aceitava a separação

    A principal hipótese considerada no inquérito é a de que os assassinatos teriam relação com um processo de divórcio que estava em andamento entre Erik e Maritza. Segundo um dos advogados da família dela, que era escrivã da Polícia Civil, eles já estavam separados, e aguardavam a venda da casa para cada um comprar um imóvel.

    “Eles já dormiam em quartos separados. Naquele dia, ela havia retornado da Operação Verão no litoral paranaense, e quando ela voltou, ele havia comprado bebida para propor uma noite romântica”, afirmou à CNN o advogado Samuel Rangel.

    “Como já era definida a situação ela não aceitou. Com isso, ele ficou enfurecido e partiu para a agressão contra a filha dela, de um primeiro casamento. Quando Maritza ouviu as agressões, correu em socorro da filha, momento em que ele descarrega a arma nas duas”, concluiu Rangel.

    Embora tenha admitido o crime, Erik ficou em silêncio durante o interrogatório com a polícia.

    Continua recebendo salário

    De acordo com consulta realizada pela CNN no Portal da Transparência do Governo do Paraná, mesmo que esteja detido há mais de 3 anos, Erik ainda aparece como servidor ativo, e recebe salário pelo cargo ocupado. Em novembro deste ano, ele foi remunerado com R$ 26.762,70.

    Em 2020, a Polícia Civil afirmou que o delegado também responderia processo disciplinar administrativo, sob pena de demissão do cargo. Procurada pela CNN, a polícia não informou se o processo chegou a ser concluído ou se algum entrave foi encontrado, até a última atualização desta reportagem.

    Além disso, em agosto de 2023 outra questão foi alvo de contestação da defesa da família. O delegado, de dentro do Complexo Médico-Penal em Pinhais, onde está detido, acessou múltiplas vezes um sistema policial de acesso restrito.

    Segundo o inquérito aberto para investigar o caso, ele tentou consultar o próprio nome em sistemas sigilosos da Polícia Civil. Até a publicação desta reportagem, a polícia também não deu detalhes sobre o andamento da investigação.

    *Sob supervisão de Bruno Laforé