Violência contra mulheres e vulneráveis aumenta em 41,9% das cidades brasileiras

Alta aconteceu durante pandemia de Covid-19, indica levantamento da Confederação Nacional de Municípios

Protesto em São Paulo contra a violência contra a mulher, em novembro de 2020
Protesto em São Paulo contra a violência contra a mulher, em novembro de 2020 Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro

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Um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que a violência contra mulheres, idosos, crianças e pessoas com deficiência aumentou em 41,9% das cidades brasileiras durante a pandemia do novo coronavírus. A pesquisa foi divulgada na última sexta-feira (13) e ouviu 2.383 prefeitos entre 9 e 12 de agosto.  

De acordo com os dados, em 20,3% dos municípios brasileiros, foi registrado aumento nas agressões físicas e verbais contra as mulheres. A violência contra idosos aumentou em outras 7,3% das cidades do país, enquanto os maus-tratos a pessoas com deficiência cresceu em 3% das regiões analisadas. Já a violência contra crianças e adolescentes apresentou uma alta em 11,3%.   

A professora e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Corina Helena Figueira Mendes, ressalta que o país precisa avançar, como um todo, nas políticas públicas contra a violência às minorias e vulneráveis. Ela destacou ainda que esses grupos sofrem há anos, sendo até necessário a criação de medidas legais no combate à discriminação.

A Lei Maria Da Penha, cujo objetivo principal é estipular punição adequada e coibir atos de agressão contra a mulher, completou no último sábado (7), 15 anos de sua concepção. 

“A problematização desses números apresentados pela pesquisa é boa porque ajuda na conscientização da população brasileira. Acho que os dados mostram que precisamos avançar nos questionamentos das políticas públicas e analisar as minorias e vulneráveis”, disse.   

A pesquisa da CNM mostra que 50% dos municípios brasileiros não registraram aumento nos índices de maus-tratos de mulheres e pessoas vulneráveis. Os outros 6,8% dos municípios não responderam.

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