Virada do ano deixa brasileiros cada vez mais ansiosos

Segundo psiquiatras, cobranças e comparações são os principais fatores que contribuem para aumento do nível de estresse no período

Bruna Carvalhoda CNN

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Com a correria do final do ano e os pensamentos já voltados para o ano seguinte, os brasileiros ficam cada vez mais ansiosos no mês de dezembro. Segundo uma pesquisa da Isma-Brasil, (Internacional Stress Management Association – Brasil), o nível de estresse do brasileiro sobe, em média, 75% no final do ano.

O médico psiquiatra Ilton Castro, que atua no Hospital Naval Marcílio Dias, chama atenção para pessoas que já têm quadro depressivo.

“O mês de dezembro é corrido, carregado de urgências e acompanhado pela sensação de que falta algo. Um convite perfeito para a melancolia. Sobretudo para quem sofre de depressão ou está em processo de luto como o experimentado por milhares de pessoas durante a pandemia pela Covid-19. Ao final de um ciclo fica sempre o sentimento de que não soube aproveitar bem e que poderia ser melhor”, explica o médico psiquiatra Ilton Castro.

O ano de 2022 ainda nem começou e a Flávia Glaciene da Silva já acumula pendências e objetivos a serem cumpridos até o final dele. Ela tem o hábito de sempre planejar o ano seguinte no final do anterior.

“Esse ano eu comecei a minha obra em casa. Meu plano é conseguir acabar até o final de 2022. O outro é a festa de um ano do meu neto em setembro. Já estou organizando e vou começar a pagar”, disse Flávia Glaciene.

Para o psiquiatra Jorge Jaber, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, fazer listas e traçar metas para o ano seguinte nem sempre é ruim, mas elas precisam estar alinhadas com as condições de cada um.

“Empresas, por exemplo, fazem planejamentos estratégicos, e o resultado costuma ser positivo. A partir dos sonhos, criamos objetivos, e para atingi-los precisamos de planos reais, factíveis, com etapas definidas, de preferência envolvendo atividades que nos agradem, nos façam bem. Desta forma, os pequenos passos e ações que nos aproximem de nosso propósito já serão motivos para alegria e estímulo, não para ansiedade e frustração”, explica Jorge Jaber.

Já a pandemia da Covid-19 fez com que algumas pessoas repensassem a vida. Nesse fim de ano Alice Sequeira tentou ficar menos ansiosa e deixou o hábito de fazer planos para trás.

“Com a pandemia me dei conta que temos zero controle sobre as coisas. Super planejei minha gravidez, e quando engravido: pandemia. Muitos planos foram por água abaixo”, conta Alice.

No mês de dezembro o Centro de Valorização da Vida tem historicamente um aumento de 20% na procura por atendimentos. O psiquiatra Jorge Jaber diz que a necessidade de procurar ajuda nesse período é comum e é importante que as pessoas não deixem de buscar.

“Existe uma cultura em nossa sociedade que associa o encerramento de qualquer ciclo a uma necessidade de vitória. Os últimos dias do ano são um desses momentos de avaliação, em que nossas expectativas de janeiro são comparadas com a realidade de dezembro. Esse aumento da ansiedade que nós, profissionais ligados à saúde mental, constatamos a cada final de ano, não é motivo para vergonha. Falar sobre o assunto com parentes e amigos e, caso necessário, buscar ajuda médica, ajuda a evitar transtornos ainda mais graves”, afirma Jaber.

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