Waack: Não tem mágica quando o governo está apertado pelas contas e popularidade

Como não tem mágica nem segredo, o governo decidiu por medida provisória que vai taxar então as exportações de óleo cru

William Waack, da CNN
Compartilhar matéria

Não tem segredo nem mágica quando um governo está apertado pelas contas e pela popularidade. É o que está acontecendo com o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que precisou voltar a cobrar impostos sobre a gasolina tentando não irritar o consumidor.

A saída encontrada – volta dos impostos ma non troppo – garante uma subida menor do preço nas bombas mas, em compensação, traz queda na arrecadação.

Alguém teria de pagar para cobrir a diferença. É o tal do cobertor curto causado pela situação fiscal – a situação do governo Lula três, que precisa gastar e não pode deixar de arrecadar.

Como não tem mágica nem segredo, o governo decidiu por medida provisória que vai taxar então as exportações de óleo cru. Causando enorme irritação num segmento industrial importante, pois o Brasil exporta 700 mil barris de petróleo por dia, é o terceiro na lista do que vendemos lá fora.

No começo do ano, quando decidiu prorrogar por dois meses a medida demagógica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de desonerar gasolina para baixar o preço, o governo Lula pensava na popularidade em primeiro lugar, e na questão fiscal – menos imposto é menos arrecadação – em segundo. Esse dilema qualquer um entende.

Mas o ministro da Fazenda veio com outra explicação para a prorrogação de uma medida demagógica de óbvio efeito negativo sobre as contas públicas.

Havia rumores no primeiro dia de governo de um golpe de estado, e por isso o governo não quis mexer no preço da gasolina, disse Fernando Haddad. Então, tá.