Exportação de frutas não deve sofrer com salvaguardas da UE
Representantes do setor apostam na competitividade de exportações brasileiras após acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia

As salvaguardas da União Europeia, que impõem restrições e parâmetros específicos para exportações do Mercosul ao bloco, não devem prejudicar as vendas de frutas, segundo representantes do setor. Com a assinatura do tratado, espera-se que os negócios mantenham o ritmo de crescimento registrado nos últimos três anos.
Em 2025, o volume de frutas exportadas para a Europa cresceu 19% e o continente representou 79% do total vendido pelo setor. O dado anima empresas brasileiras que competem com países que já possuem isenção de tarifas como o Peru, Chile e México.
Luiz Roberto Barcelos, conselheiro da International Fresh Produce Association (IFPA) e diretor da Abrafrutas (Associação Brasileia de Frutas), ressaltou que “as salvaguardas não ameaçam, pois exportamos frutas tropícais, que não são produzidas nos países europeus”, disse à CNN Brasil.
Barcelos destaca a contrapartida de exportações de frutas tropicais durante a entressafra europeia. “Nos casos de melão, melancia, uva e mamão, o comércio acontece na contra estação, o que supre a demanda de mercados do hemisfério norte”, explicou.
O acordo entre Mercosul e União Europeia prevê a redução gradual de tarifas de importação por parte de países do bloco europeu. O ajuste compreende tarifas entre 14% e 4¨%, alíquotas em vigor atualmente. A uva é o grande destaque e terá a alíquota zerada imediatamente a vigência do acordo.
“As estimativas de redução tarifária devem tornar as exportações brasileiras mais competitivas”, disse Eduardo Brandão, diretor executivo da Abrafrutas à CNN Brasil.
Recorde
Em 2025, as vendas de frutas brasileiras ao exterior foram recorde e alcançaram a marca de US$ 1,45 bilhão, com alta de 12% em valor e 19,6% em volume em relação a 2024.
Para a Europa, exportações de manga, melão, limão, melancia, uva e mamão cresceram 12,8% em valor e 19,1% em volume em 2025. Na soma, embarques para a Europa cresceram 6,2% em valor e 3,4% em volume em 2025, em relação a 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Indústria.
Manga, melão, limão, melancia, uva e mamão somaram US$ 967 milhões em receita no ano passado, ante US$ 857,6 milhões em 2024. Para a Europa, o Brasil exportou 949 mil toneladas em 2025, uma alta em relação a 2024, quando os embarques somaram 796,6 mil toneladas.
A Apex Brasil estima que o faturamento da fruticultura cresça 40% e alcance US$ 1,8 bilhão até 2029. Em 2025, o país exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas, gerando receita de cerca de US$ 1,3 bilhão.


