Mais de 75% dos jovens de periferia querem trabalhos formais, diz pesquisa

Instituição aponta que resultado do estudo mostrou "retrato que contradiz estereótipos atribuídos à Geração Z em relação ao mercado formal"

Julia Farias, colaboração para a CNN Brasil
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Um estudo feito pelo Instituto PROA - instituição que promove a inclusão produtiva de pessoas vindas de escolas públicas - apontou que mais de 75% dos jovens de periferia têm o desejo de seguir carreira no mercado formal.

Os resultados da pesquisa, divulgados no último dia 18 deste mês, contam com mais de 400 jovens e 129 empregadores entrevistados e, segundo a instituição, "mostram um retrato que contradiz estereótipos atribuídos à Geração Z em relação ao mercado de trabalho formal".

Segundo o levantamento, os jovens também demonstraram vontade de empreender, no entanto, como uma necessidade diante da falta de alternativas profissionais. Michelle Claro, coordenadora de Captação e Dados do instituto, afirmou que é possível perceber na fala dos jovens que “o empreendedorismo e o trabalho informal muitas vezes se confundem, reforçando que se trata de um recurso de sobrevivência, e não de um projeto de futuro.”

Para a instituição, é necessário que o fator de empregabilidade no Brasil considere questões como pluralidade e desigualdade social para compreender a maneira de aproximar o jovem contratado e a empresa. Além disso, o resultado do levantamento aponta que a falta de qualificação técnica, já considerada como principal desafio de inserção no mercado, não é mais um fator que ganha atenção atualmente.

"A retenção dos jovens pode ser tão desafiadora quanto o ingresso. Uma das principais dores dos empregadores é a alta rotatividade nas empresas: 31% relatam alta rotatividade ao passo que 83% esperam que os jovens permaneçam até três anos. Apesar de apenas 35% terem programas de desenvolvimento, a maioria estaria disposta a adaptar processos internos, como implementar políticas estruturadas de permanência", apontou o estudo.

Segundo o estudo, a maioria dos jovens entrevistados enfrenta uma rotina marcada pela sobrecarga, em que quase 70% deles vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos e dividem casa com três ou mais pessoas. Levando o cenário em consideração, a pesquisa destacou que, em muitos casos, tratam-se de famílias vivendo com menos de um terço de salário mínimo por pessoa.

O instituto também aponta a relação com o trabalho remoto como um desafio, dado que para a juventude periférica, o modelo é visto como uma estratégia para reduzir gastos com transporte e alimentação, além de evitar longos deslocamentos em transportes públicos. "Para eles seria, sim, um ponto positivo da vaga, mas não algo inegociável", ressaltou a instituição.

Para Alini Dal’Magro, presidente e CEO do Instituto PROA, "é preciso criar ambientes que deem sentido ao que eles [jovens] fazem, valorizem sua trajetória e ofereçam espaço para crescer. Quando encontram acolhimento e reconhecimento, os jovens se engajam e contribuem concretamente para os resultados das empresas”, concluiu a CEO.