Preços do petróleo sobem com incertezas geopolíticas entre EUA e Irã
Presidente americano afirmou na última quinta-feira (8) que EUA devem amenizar tensões no Oriente Médio até novembro

Os preços do petróleo fecharam em leve alta nesta sexta-feira (9), com o barril do Brent, referência internacional, cotado a US$ 104,72, avanço de 0,42%. O movimento ocorreu em meio às incertezas geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, com investidores ponderando as preocupações de oferta em um mercado restrito devido à guerra.
O contrato do WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, também encerrou o dia em alta, com valorização de 0,39%, a US$ 91,85 por barril.
Ao longo da manhã, o petróleo havia registrado ganhos expressivos, com Brent avançando 4%, enquanto o WTI subiu 3,64%.
Ao CNN Money, o especialista em combustíveis da GEP Brasil, Adriano Birle, avaliou que as declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que não pretende atacar o Irã antes das eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro, reduziram temporariamente o risco de uma escalada militar.
A sinalização diminuiu a possibilidade de uma pressão adicional sobre os preços no curto prazo, mas não eliminou o prêmio de risco geopolítico.
Além das perspectivas para o conflito no Oriente Médio, o mercado acompanhou o anúncio de Trump sobre o fornecimento de diesel russo. Segundo o presidente dos EUA, a Rússia concordou em disponibilizar imediatamente mais de 300 mil toneladas do combustível aos mercados dos Estados Unidos e global.
O plano prevê ainda outras 500 mil toneladas em novembro, 1 milhão de toneladas posteriormente e mais 3 milhões de toneladas em um curto período, a depender das condições das refinarias russas. A iniciativa busca ampliar a oferta e aliviar os preços dos combustíveis.
Apesar da sinalização de alívio nas tensões, Trump afirmou que não pretende atacar o Irã até as eleições de meio de mandato norte-americanas, marcadas para 3 de novembro.
Trump também mencionou conversas produtivas com o país persa, mas ressaltou que o bloqueio naval aos portos iranianos será mantido e classificou a situação econômica e militar do Irã como muito precária.
"Caso haja uma resposta positiva [do Irã] que leve a um fim do bloqueio naval e a um fim dos bombardeios na região, ainda que não seja uma resolução definitiva, isso deve reduzir o prêmio de risco. Por outro lado, se houver uma recusa por parte do país, o bloqueio naval sendo mantido e os bombardeios não cessando, esse prêmio de risco tende a aumentar novamente”, explicou Birle.
Além da continuidade da guerra, traders acompanhavam a redução da produção nos Estados Unidos devido à aproximação de um furacão que ameaça as operações offshore.
Até quinta-feira, produtores haviam interrompido cerca de 1,3 milhão de barris por dia, o equivalente a 62,9% da produção atual de petróleo na região, segundo a Administração de Minerais Marinhos dos Estados Unidos.
O furacão Isaias, no Golfo do México, deve se tornar "grande" de categoria 3 ou superior quanto atingir o continente, segundo Michael Brennan, diretor do NHC (Centro Nacional de Furacões).
De acordo com o especialista, a tempestade pode causar "múltiplos impactos com risco de vida, decorrentes de ondas de tempestade, inundações causadas por chuvas intensas e ventos com força de furacão”.
*Com informações da Reuters


