O Grande Debate: Caio Coppolla e Gabriela Prioli falam dos 6 anos da Lava Jato


Da CNN Brasil, em São Paulo
17 de março de 2020 às 11:04 | Atualizado 17 de março de 2020 às 12:37
 

Depois de 71 fases, milhares de mandados de busca e apreensão no país e no exterior, 113 denúncias, 159 condenados, R$ 4 bilhões devolvidos aos cofres públicos e R$ 2,1 bilhões em multas, a Operação Lava Jato completa seis anos nesta terça-feira (17). Este é o tema do O Grande Debate entre Caio Coppolla e Gabriela Prioli, comentaristas da CNN.

Os dois falaram sobre os pontos fortes e sobre as críticas à operação. Em suas considerações finais, Prioli ponderou: "A gente não está defendendo aqui que se feche os olhos para a corrupção nem que ela seja deixada de lado ou que a gente não vá atrás de responsabilizar as pessoas que empreenderam atitudes corruptas. O Ponto é: há formas de fazer isso sem que a gente destrua as empresas. E a forma é aprimorar os acordos de leniência, pois houve uma confusão na gestão dos acordos de leniência, o que foi extremamente prejudicial para as empresas e gera um cenário de desconfiança".

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E concluiu: "Então a gente está falando das reformas estruturais para devolver a confiança para o Brasil. Acordos de leniências são instrumentos eficazes e legítimos do combate à corrupção, mas precisam ser bem conduzidos. Então, eu sinto muito que a gente não consiga fazer um debate de qualidade, talvez porque, enfim, não seja tão simples falar sobre as tecnicidades do acordo de leniência".

Coppolla afirmou que iria "resistir bravamente a desconstruir a bandidolatria alheia para ocupar esses segundos [o tempo que lhe restava no debate] de uma forma mais produtiva" e defendeu o ex-juiz ao afirmar que os vazamentos de mensagens particulares só reforçaram o empenho de Moro pela justiça. "Quando Moro teve a sua privacidade violada, com o vazamento criminoso de mensagens particulares, o brasil descobriu o que o juiz fazia às escondidas: trabalhava pelo combate à impunidade, de forma serena e legítima, buscando a verdade dos fatos", afirma.

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"Agora como ministro da Justiça e da Segurança Pública, o ex-juiz tem como objetivo estabelecer políticas de combate à corrupção, ao crime organizado e aos crimes violentos. Para isso, ele precisa da improvável assistência do legislativo e da alta cúpula do judiciário. Mas na parte que lhe cabe, o brasil já registrou redução da criminalidade em 2019  - com destaque pra queda de 20% nos homicídios. É bom para o Brasil ter um herói no ministério. Seria ótimo para o brasil ter um herói no STF", concluiu Caio.