Bolsonaro diz que contraprova para coronavírus deu negativo

Presidente tem falado em "histeria" com pandemia, mas governo pediu ao Congresso que declare estado de calamidade pública

Da CNN Brasil, em São Paulo e Brasília
17 de março de 2020 às 21:57 | Atualizado 17 de março de 2020 às 22:08
Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato pró-governo em Brasília
Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato pró-governo em Brasília
Foto: Adriano Machado/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse na noite desta terça-feira (17) que seu segundo exame para o novo coronavírus (COVID-19) deu negativo.

"Informo que meu 2° teste para COVID-19 deu NEGATIVO. Boa noite a todos", publicou o presidente no Twitter.

 

"Histeria" x calamidade pública

Mais cedo hoje, Bolsonaro voltou a falar em histeria em relação à pandemia do novo coronavírus, que já infectou quase 300 pessoas no Brasil e teve nesta terça-feira (17) a primeira morte confirmada no país. O presidente afirmou que medidas tomadas pelos governadores contra a doença vão causar "um baque" na economia.

No entanto, horas depois, o governo federal anunciou que vai pedir ao Congresso Nacional a declaração de estado de calamidade pública devido à pandemia do novo coronavírus. O governo justifica o pedido com a "necessidade de elevação dos gastos públicos para proteger a saúde e os empregos dos brasileiros" e a "perspectiva de queda de arrecadação". 

Na prática, se o Congresso reconhecer o estado de calamidade pública no país, o governo fica dispensado de atingir a meta de resultado fiscal prevista no Orçamento de 2020 — deficit de R$ 124,1 bilhões.

Críticas

Nos últimos dias, autoridades criticaram a postura do presidente, sobretudo o seu comparecimento aos atos pró-governo em Brasília no último domingo (15). A orientação do Ministério da Saúde era para que se evitassem aglomerações, para conter a propagação do vírus.

Após o acontecido, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que Bolsonaro faz "pouco caso" da crise, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cobrou "responsabilidade" de Bolsonaro. 

Nesta segunda-feira (16), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou em entrevista exclusiva à CNN Brasil que o presidente deu um "péssimo exemplo" .

Reunião com poderes

O presidente também disse nesta terça que agendou para quarta (18) uma reunião com as principais autoridades dos demais poderes e instituições para alinhar as estratégias de combate ao novo coronavírus.

Segundo o presidente, a reunião acontecerá por volta das 20h e será seguida de uma entrevista coletiva à imprensa. Foram convidados os presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Tribunal de Contas da União (TCU), José Múcio, além do procurador-geral da República, Augusto Aras.