Alcolumbre critica Bolsonaro: país precisa de liderança séria e responsável

Rodrigo Maia afirma que pronunciamento foi "equivocado" e defende respeito às recomendações da Organização Mundial da Saúde

Da CNN, em São Paulo e Brasília
24 de março de 2020 às 21:54 | Atualizado 24 de março de 2020 às 22:59
O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Foto: Marcos Brandão-17.02;2020/Senado Federal

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticou o pronunciamento realizado em rede nacional nesta terça-feira (24) pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em nota assinada também pelo vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSD-MG), Alcolumbre afirma que é "grave" a posição adotada por Bolsonaro, que voltou a criticar as medidas adotadas para conter a disseminação da pandemia do novo coronavírus.

"Consideramos grave a posição externada pelo presidente da República hoje, em cadeia nacional, de ataque às medidas de contenção ao COVID-19. Posição que está na contramão das ações adotadas em outros países e sugeridas pela própria Organização Mundial da Saúde", diz a nota. O próprio presidente do Senado testou positivo para COVID-19.

A mensagem do presidente do Congresso Nacional afirma que "o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população". Alcolumbre e Anastasia também defendem que "é momento de união, de serenidade e de equilíbrio, de ouvir os técnicos e profissionais da área para que sejam adotadas as precauções e cautelas necessárias".

Maia critica: 'equivocado'

Em nota divulgada nas redes sociais, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o pronunciamento foi "equivocado".

"O momento exige que o governo federal reconheça o esforço de todos -- governadores, prefeitos e profissionais de saúde -- e adote medidas objetivas de apoio emergencial para conter o vírus e aos empresários e empregados prejudicados pelo isolamento social", escreveu. Maia ainda defendeu que os brasileiros sigam "as normas defendidas pela OMS e pelo Ministério da Saúde em respeito aos idosos e a todos que estão em grupo de risco".

Governadores

Durante o pronunciamento desta terça, o presidente Jair Bolsonaro criticou "algumas poucas autoridades estaduais e municipais" que adotaram o que chamou de "conceito de 'terra arrasada'", com restrições no transporte e comércio e incentivo à quarentena e recolhimento domiciliar.

A fala vem na véspera de uma reunião entre o presidente da República e os governadores da região Sudeste, entre eles o paulista João Doria (PSDB) e o fluminense Wilson Witzel (PSC), dois dos que determinaram amplas medidas de restrição de circulação.

O número de infecções pelo novo coronavírus no Brasil ultrapassou 2 mil nesta terça. No total, o vírus vitimou 46 pessoas — uma delas, de um paulistano de 33 anos. No mundo, são 16.362 mortes e 375.498 casos, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde)

'Gripezinha'

O presidente não anuciou nenhuma nova medida para conter o avanço da pandemia. Bolsonaro buscou mostrar que o governo federal vem se preparando para lidar com a doença desde o resgate dos brasileiros ilhados na quarentena de Wuhan, na China, e elogiou a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM).

"O vírus chegou e brevemente passará. Nossa vida tem que continuar, os empregos devem ser mantidos e o sustento das famílias deve ser preservado. Devemos voltar à normalidade", minimizou o presidente. Apesar de integrar o grupo de risco, Jair Bolsonaro disse que, se fosse diagnosticado, teria apenas uma "gripezinha" ou "resfriadinho".

Apesar de Jair Bolsonaro dizer que o vírus "brevemente passará", na semana passada, a previsão do próprio ministro Mandetta era de que a fase mais aguda da epidemia do novo coronavírus vai durar ao menos até julho.