Interferência de Bolsonaro na PF é uma farsa, diz advogado do presidente

Wassef também refutou que haja interferência dos filhos do presidente na escolha do novo ministro da Justiça e do novo diretor da PF

Da CNN, em São Paulo
27 de abril de 2020 às 17:04 | Atualizado 27 de abril de 2020 às 22:19
 
 

Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), disse em entrevista à CNN nesta segunda-feira (27) que as acusações de interferência na Polícia Federal feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro na última sexta-feira (24) contra o presidente são "uma farsa".

"Nós não podemos confundir um ato administrativo, que é de prerrogativa exclusiva do presidente, e transformar isso em ingerência política na Polícia Federal", disse Wassef em alusão à decisão de Bolsonaro de trocar o comando da PF.

Wassef também refutou que haja interferência dos filhos do presidente na escolha do novo ministro da Justiça e do novo diretor da PF. A CNN apurou que o indicado para a PF será Alexandre Ramagem e, para o Ministério da Justiça, Jorge Oliveira, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Ambos são amigos da família Bolsonaro.

"Esta é outra inverdade. O presidente escolhe seus ministros sozinho. Esta lenda urbana de que os filhos do presidente Jair Bolsonaro escolhem ministros é irreal. O presidente escuta todos os seus ministros, várias pessoas e quem toma a decisão é ele quando forma a sua convicção". 

Wassef disse ainda que "jamais" um membro da família Bolsonaro foi alvo de investigação pela PF e afirmou que Bolsonaro deu carta branca para Sergio Moro desde o começo do mandato.

"Eu não posso julgar Moro, mas posso afirmar com absoluta certeza e posso provar que imputar o presidente a falsa acusação de estar ingerindo na PF é uma mentira. Eu sou advogado da família Bolsonaro e eu vou dar uma informação que desmonta de primeira esta hipótese: jamais a PF ou qualquer polícia investigou qualquer membro da família Bolsonaro", afirmou.

O advogado também contestou o teor mensagens compartilhadas pelo ministro Sergio Moro e divulgadas pela TV Globo.

"Nós não podemos tirar uma frase fora de contexto, mostrar na televisão e você pode induzir em erro as pessoas. Nós não podemos afirmar nada, o que nós temos por hora é a palavra de Moro contra Bolsonaro. Nós não vimos o inteiro teor desta conversa. E me questiono: Qual o motivo desse apego ao delegado [Valeixo]? O que isso quer dizer? Me pareceu uma relação muito forte e pessoal."

Wassef também criticou a atuação da PF na investigação do atentado cometido contra Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018, defendendo que o crime teve um mandante. A defesa do presidente, no entanto, não recorreu da decisão que considerou Adélio Bispo inimputável por ter transtornos mentais.

Também hoje, o PSOL informou que entrará com uma notícia-crime por difamação contra o vereador Carlos Bolsonaro e o ativista Oswaldo Eustáquio por declarações relativas ao atentado. "Ambos divulgaram em suas redes sociais informações mentirosas que tentam estabelecer ligação do PSOL e do ex-deputado Jean Wyllys com os delitos cometidos por Adélio Bispo. Essa é claramente uma tentativa de desviar a atenção da sociedade sobre informações graves, divulgadas recentemente, que envolvem a família Bolsonaro com o esquema criminoso de fake news investigado pela PF", diz a nota do partido.