Talvez tenha pegado COVID-19 e nem senti, diz Bolsonaro


Da CNN, em São Paulo
30 de abril de 2020 às 15:19 | Atualizado 30 de abril de 2020 às 16:10
O presidente Jair Bolsonaro em visita a Porto Alegre
O presidente Jair Bolsonaro em visita ao Centro de Operação de Combate a COVID-19 em Porto Alegre
Foto: Marcos Corrêa/PR (30.abr.2020)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) declarou nesta quinta-feira (30) que talvez tenha sido contaminado com a COVID-19 no passado e nem sentiu. A afirmação foi feita em entrevista à Rádio Guaíba.

Ele também falou sobre a decisão da Justiça Federal que definiu que o presidente deve apresentar seus exames para COVID-19 até o fim do dia. O presidente disse que irá divulgar os resultados se perder recurso movido pela AGU (Advocacia-Geral da União). No início desta semana, o jornal O Estado de S. Paulo conseguiu na Justiça o direito de obter o resultado dos testes de Bolsonaro.

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Após viagem aos Estados Unidos no início de março, 23 membros da comitiva do presidente testaram positivo para o novo coronavírus — entre eles o senador Nelsinho Trad (PTB-MS) e o secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten. 

O chefe do Executivo ainda repetiu que usa "nomes fantasia" em pedidos de exames e receitas de medicamentos para se proteger. "Sou uma pessoa conhecida, para o bem ou para o mal. Quando fui medicado, coloquei nome fantasia porque na ponta da linha está um ser humano, não se sabe o que pode ser feito se alguém souber que é Jair Bolsonaro", justificou o presidente.

Decisão do STF é 'afronta'

O presidente voltou a falar da decisão do STF que barrou a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal. "Decisão que não engoli, é uma afronta. Não aceito ser refém de decisões monocráticas de quem quer que seja", disse. 

"Cobrei que o ministro Alexandre de Moraes tome uma posição no tocante ao Ramagem, porque ele continua à frente da Abin (Associação Brasileira de Inteligência), que é tão importante quanto a PF", disse Bolsonaro. Para o presidente, impedir que Ramagem assuma o controle da PF enquanto comanda a Abin é o mesmo que impedir, "por questões pessoais", que um sargento do Exército ocupe o mesmo posto na Aeronáutica.

O ministro do STF Alexandre de Moraes suspendeu a indicação de Ramagem nesta quarta-feira (29) na esteira das acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente estaria tentando interferir politicamente na PF, pedindo informações sobre investigações em andamento. A Suprema Corte já abriu inquérito para apurar as afirmações. 

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No mesmo dia, Bolsonaro se manifestou sobre o tema, declarando que seria dever da AGU (Advocacia-Geral da União) recorrer da decisão e que "sonho" de indicar Ramagem a posto mais alto da PF se concretizaria em breve. Apesar das declarações do presidente, após a decisão de Moraes, o próprio governo tornou a nomeação de Ramagem sem efeito e a AGU disse em nota que não iria recorrer.

Com informações do Estadão Conteúdo