Bolsonaro diz que governo não está preocupado com vídeo de reunião ministerial

Segundo o ex-ministro Sergio Moro, na reunião, o presidente manifestou intenção de interferir na Polícia Federal. Vídeo será exibido na PF amanhã (12)

Da CNN, em São Paulo e Brasília
11 de maio de 2020 às 19:09 | Atualizado 11 de maio de 2020 às 19:50
O presidente Jair Bolsonaro fala a apoiadores e jornalistas em Brasília
Foto: CNN (11.mai.2020)

O presidente Jair Bolsonaro disse no começo da noite desta segunda-feira (11) em Brasília que não está preocupado com o vídeo da reunião ministerial em que, segundo o ex-ministro Sergio Moro, manifestou intenção de interferir na Polícia Federal. A gravação faz parte do investigação sobre as circunstâncias da demissão de Maurício Valeixo do comando da corporação, evento que foi o estopim da saída de Moro do governo.

"Zero, zero", disse Bolsonaro ao ser perguntado por uma jornalista se o governo estava preocupado com o conteúdo do vídeo.

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Ao ser perguntado por um repórter se lembrava do que disse a Moro na reunião, Bolsonaro afirmou se recordar "de tudo". No entanto, quando questionado em seguida sobre o que disse, o presidente não respondeu.

"Você está de brincadeira comigo", disse Bolsonaro ao jornalista que fez a pergunta. "Tudo o que foi falado no tocante ao ex-ministro Sergio Moro vai ser extraído e usado no inquérito."

Bolsonaro reiterou não temer o conteúdo da gravação. "Eu nunca ofendi ninguém. Nunca agredi ninguém. Nunca ameacei ninguém. Pronto, suficiente. Está na fita", afirmou.

O presidente disse esperar que seja extraída do vídeo apenas "a parte que interessa ao inquérito, para saber se houve alguma interferência minha na Polícia Federal ou não". 

Bolsonaro declarou que, no restante da reunião, os assuntos foram política internacional e questões de segurança nacional -- temas que, segundo ele, foram tratados de "maneira bastante clara".

"Se fosse numa conferência, num evento, não seria tratado daquela forma bruta, e sim de uma forma mais polida", disse.

Valeixo

O presidente também disse não ter conhecimento do depoimento de Valeixo para o inquérito, concedido hoje à tarde em Curitiba e cuja íntegra foi obtida com exclusividade pela CNN.

No depoimento, Valeixo disse ter ouvido de Moro que Bolsonaro pediu ao ministro que mudasse o titular da superintendência da PF do Rio.

Valeixo também disse que Bolsonaro queria um diretor da PF com quem tivesse mais "afinidade". O delegado declarou ainda que foi demitido por telefone e que não queria permanecer no cargo.

O delegado Alexandre Ramagem, que chegou a ser nomeado por Bolsonaro como sucessor de Valeixo, também depõe hoje dentro do inquérito sobre a troca de comando na PF.

Ramagem é amigo da família Bolsonaro e diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Sua nomeação para chefiar a PF foi barrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob a justificativa de que as circunstâncias da nomeação estão sob investigação. 

Com isso, Bolsonaro nomeou Rolando Alexandre para a direção da PF. Rolando era secretário de Planejamento da Abin e considerado o braço direito de Ramagem, que foi quem o levou para o cargo em setembro de 2019.