'Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal', diz Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro negou que vídeo apresentado nesta terça-feira à sede da Polícia Federal mostre interferência na PF para proteger seus filhos

Da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2020 às 16:39 | Atualizado 12 de maio de 2020 às 18:16

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (12) que não há menção sobre a Polícia Federal ou à superintendência no vídeo apresentado hoje na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. 

“Eu desisti de divulgar [o vídeo] porque aconteceu o processo, eu sou a última pessoa a ser ouvida. Não existe no vídeo todo a palavra Polícia Federal nem superintendência, quem cuida da minha família não é a PF. Todos meus filhos têm segurança, sem exceção”, disse, em conversa com jornalistas na rampa do Palácio do Planalto.

“A Polícia Federal nunca investigou ninguém da minha família. Isso não existe no vídeo”, afirmou Bolsonaro. “Quem cuida da minha família é o GSI [Gabinete de Segurança Institucional da Presidência], não é a Polícia Federal”.

Segundo apurou a CNN, o vídeo da reunião ministerial ocorrida em 22 de abril mostraria o presidente dizendo que a troca no comando da Polícia Federal no Rio seria necessária para proteger sua família contra uma suposta perseguição.

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Ao ser questionado por jornalistas sobre o pedido de trocar a superintendência do Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que não entraria em detalhes. 

“O que a mídia está divulgando é fake news, o informante está desinformando. Eu não escondo nada de ninguém. O depoimento do Moro, com todo respeito, não tem acusação nenhuma, do Valeixo a mesma coisa, este vídeo é a última cartada midiática para tentar dizer que eu interferi na Polícia Federal”, afirmou Bolsonaro. 

O presidente disse “acreditar na verdade”, por isso, nada o impediria de divulgar o vídeo. 

“O vídeo está em sigilo secreto, eu posso retirar o sigilo deste vídeo, pode ser todo mostrado a vocês, exceto quando se fala em política externa, por questão de confidencialidade. A fita era para ser destruída, não sei por que não foi, eu poderia ter falado isso, mas jamais iria faltar com a verdade, por isso resolvi trazer a fita.”

Mais tarde, o presidente voltou a conversar com a imprensa e disse novamente que toparia retirar o sigilo do vídeo. “O vídeo todo não tem a palavra Polícia Federal. Tudo o que interessar ao processo eu topo retirar o sigilo, sem exceção”, afirmou. “E que as questões sensíveis não se tornem públicas, pois prejudicam a economia."

Relação com Alexandre Ramagem

Bolsonaro negou que havia uma amizade entre Alexandre Ramagem, que chegou a ser indicado para ser o diretor-geral da Polícia Federal, e sua família, destacando que a relação entre o policial federal e o presidente era apenas de zelo. 

“Teve um churrasquinho, eu fui lá, meu filho foi, era uma foto apenas. Tinha uma grande simpatia pelo Ramagen, era um homem experiente da Polícia Federal, que após o segundo turno foi designado a fazer minha segurança, tomava café da manhã comigo todo dia, tinha zelo pela minha segurança pessoal”.

A posse de Ramagem na PF foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal. 

Saída de Sergio Moro

O presidente lamentou a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e afirmou que haveria a possibilidade de negociação para escolha de um novo diretor da Polícia Federal. 

“Olha, tudo pode acontecer na vida da gente, lamento muito a forma como ele saiu. Quando saiu a exoneração do Valeixo, não saiu a nomeação do Ramagem, tinha espaço para conversar ainda”, afirmou Bolsonaro.