Ex-superintendente do RJ é nomeado nº 2 da Polícia Federal

Nomeação de Carlos Henrique Oliveira de Sousa como novo diretor-executivo da corporação já havia sido antecipada por Jair Bolsonaro

Bianca Camargo e Diego Freire, da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2020 às 00:57 | Atualizado 13 de maio de 2020 às 12:17
Carlos Henrique Oliveira de Sousa, diretor-geral da Polícia Federal
Foto: Roberta Guimarães/Alepe

O delegado Carlos Henrique Oliveira de Sousa foi nomeado diretor-executivo da Polícia Federal, em substituição a Disney Rosseti, em portaria publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (13). A movimentação já havia sido antecipada por Jair Bolsonaro. 

O cargo, voltado a funções administrativas, é considerado o segundo mais importante da corporação.  

Carlos Henrique de Sousa ocupou a superintendência-geral da Polícia Federal no Rio de Janeiro de novembro de 2019 até o início de maio deste ano. Ele foi conduzido ao cargo por Maurício Valeixo, nome próximo de Sergio Moro que ocupava a diretoria-geral da entidade.

Jair Bolsonaro exonerou Valeixo em abril, um movimento decisivo para que Sergio Moro pedisse demissão do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. Moro era contra a substituição de Valeixo. 

O ex-juiz da Lava Jato alegava que não havia razão técnica para a saída de Valeixo e relatou tentativas de inteferência do presidente para indicar pessoas próximas no alto comando da Polícia Federal. 

Bolsonaro, então, escolheu o diretor-geral da Abin, o delegado Alexandre Ramagem, como substituto de Valeixo para a diretoria-geral da PF. Mas a nomeação de Ramagem foi barrada por decisão monocrática do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, sob o entendimento de que a nomeação de alguém próximo violaria os princípios de moralidade e impessoalidade. 

Em depoimento à PF nesta semana, Ramagem negou ser amigo próximo da família do presidente. 

Sem poder nomear seu preferido, Bolsonaro optou por um nome próximo a Ramagem para o cargo máximo da PF: Rolando Alexandre. 

Em uma de suas primeiras medidas, Rolando anunciou a exoneração de Carlos Henrique de Sousa da chefia da superintendência do Rio de Janeiro. 

Questionado se isso seria uma interferência na Polícia Federal do Rio de Janeiro, que já investigou acusações contra seu filho Flávio Bolsonaro, o presidente afirmou que Sousa seria promovido para o cargo "número 2" da PF - o que se concretizou nesta quarta.

TSE

Disney Rosseti, que ocupava a diretoria-executiva da PF, foi cedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com a portaria do Diário Oficial da União (DOU), o salário de Rosseti continuará a ser pago pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O delegado federal tem o prazo de trinta dias, a partir desta quarta-feira (13), para se apresentar ao TSE.

(com Rudá Moreira)