AGU vai até ministros do STF defender que vídeo não seja divulgado na íntegra

José Levi, da AGU, esteve no STF e usou elevador privativo para não ser visto. Ao ser abordado, o ministro respondeu “não posso (comentar)"

Basília Rodrigues e Gabriela Coelho Da CNN, em Brasília
14 de maio de 2020 às 20:47 | Atualizado 14 de maio de 2020 às 20:55
O advogado-geral da União, José Levi
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


O ministro da Advocacia-Geral da União, José Levi, esteve na noite desta quinta-feira (14) com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) depois de pedir formalmente ao decano da corte Celso de Mello que não retire o sigilo de todo vídeo do encontro do presidente Jair Bolsonaro e ministros no último dia 22 de abril, que é alvo de investigação.

Apesar de a corte ter suspenso as sessões presenciais, alguns ministros têm realizado despachos em seus gabinetes. A reportagem da CNN viu quando José Levi esteve no STF. Levi usou um elevador privativo para não ser visto nos corredores do tribunal. Ao ser abordado, o ministro respondeu “não posso (comentar), deixa para a próxima”.

A estratégia do governo é que o próprio Bolsonaro possa divulgar trechos, mas somente trechos, do vídeo. No pedido, a AGU afirma que as declarações sobre relatórios da PF e a fala de Bolsonaro sobre a segurança da família dele no Rio de Janeiro não estão no mesmo contexto. Na contagem da defesa, há vinte minutos de distância entre uma manifestação e outra.

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No pedido, há as frases transcritas, que coincidem com o relato de ministros palacianos que prestaram depoimento nesta semana. Em síntese, o governo diz que o presidente falava de Augusto Heleno e não de Moro. Bolsonaro reclama da chefia de segurança e ameaça trocar o ministro responsável. Neste caso, Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional e não o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Apesar das afirmações, após esta reunião não houve demissões no GSI, ao contrário da Polícia Federal, que teve o diretor-geral e também superintendentes trocados.