Mandetta pede ciência e força ao SUS após saída de Teich; veja repercussões

Ex-ministro pediu orações, além de fortalecimento da ciência após seu sucessor pedir exoneração após 29 dias no cargo

Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 12:48 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 13:54
O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta
Foto: Reprodução/CNN (7.mai.2020)

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta usou sua conta no Twitter para comentar a demissão de seu sucessor, Nelson Teich, que ficou menos de um mês no cargo e pediu o fortalecimento do SUS para combater a pandemia do novo coronavírus.

“Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé!”, escreveu Mandetta minutos depois da confirmação de que Teich pediu exoneração do cargo. Ele também usou a hashtag #FicaEmCasa.

Já o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro considerou que o país passa por um “cenário difícil” diante da troca no comando da saúde em meio à pandemia de Covid-19 e recomendou que as pessoa se cuidem e cuidem umas das outras.

Além de Mandetta e Moro, políticos opositores também comentaram a decisão, com críticas tanto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quando ao próprio Teich. Já os governistas defenderam a troca e também a ampla utilização da cloroquina no tratamento dos infectados pela doença.

Deputados

A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) também usou o Twitter para afirmar que Teich pediu exoneração do governo para “não assumir atos genocidas de Bolsonaro”. “O 2º ministro da saúde que cai em meio a pandemia que já matou 14.131 brasileiros”, disse.

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Já o deputado federal Enio Verri (PT-SP), líder do partido na Câmara dos Deputados, afirmou que a saída do médico do comando da pasta se deve à sua “absoluta incopetência para gerir a crise sanitária”. “[E] à sua contrariedade de recomendar o uso da cloroquina, como Bolsonaro faz diária e inadvertidamente”, tuitou.

Para o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Teich foi um ministro da Saúde que jamais assumiu o cargo de fato. “Mas sua saída sinaliza que Bolsonaro vai jogar de forma ainda mais agressiva com a vida dos brasileiros, atacando o isolamento social e orientações das autoridades de saúde e cientistas. Quer o caos.”, acusou.

O deputado federal Efraim Filho (DEM-PB) dise que o agora ex-ministro sai do cargo sem deixar saudade. “A impressão é de que ele nunca assumiu realmente.... foi  praticamente um mês perdido de Ministério da Saúde no ponto mais crítico da pandemia.”

Por outro lado, o político bolsonarista Bibo Nunes (PSL-RS) afirmou que a saída de Teich faz sentido já que, para ser ministo no atual governo “tem que a mesma forma de agir e pensar que ele [Bolsonaro], o que é natural”.

“Lembro que a cloroquina era um remédio barato, eficaz e que não precisava receita, por não causar efeito colateral. É inegável que milhares já foram salvos com cloroquina!”, tuitou – a discordânia em relação ao uso irrestrito da cloroquina está entre os principais motivos da demissão de Teich.

Aliada de primeira hora do presidente, Carla Zambelli, defendeu o uso da Cloroquina independentemente de quem assumir o Ministério da Saúde.

“Temos que aplicar o Protocolo da Hidroxicloroquina, e o estudo já está sendo preparado pela @AMB_oficial”, escreveu, marcando a conta da Associação Médica Brasileira. “O Brasil PRECISA desse protocolo para salvar vidas.”

Senadores

Em mensagem em vídeo, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que a demissão de Teich é uma “prova cabal de que o sr. Jair Bolsonaro nega a ciência, nega os fatos e nega a realidade”.

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“Temos no governo da República um presidente que não é capaz, nesse momento dramático, de liderar o país, de enfrentar a pandemia, aliás, o coronavírus no Brasil tem no presidente da república seu maior aliado”, afirmou, ressaltando que Teich é o segundo ministro a deixar o governo no que considerou "a mais grave crise sanitária dos últimos 100 anos".

Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que o presidente quer um “charlatão fanático” no cargo de ministro da Saúde, já que sua discordância com os últimos dois ocupantes da pasta acabou com suas demissões. 

“Bolsonaro não quer um médico para cuidar da saúde dos brasileiros. Quer um charlatão fanático. Ou um militar burocrático capaz de seguir ordens sem pensar. Dois ministros da saúde demitidos em plena pandemia não é só sinal de incompetência. É crime e está nas margens do homicídio”, afirmou

Governadores

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que interferências do presidente nos ministérios de na Polícia Federal impedem que qualquer pessoa, incluindo os nomes indicados por ele, “façam um trabalho sério”.

“É por isso que governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia e não o senhor, presidente”, escreveu o político, que tem sido um dos principais oponentes de Bolsonaro na condução da crise causada pela Covid-19.

Para o ex-governador do Ceará e ex-candidato à presidência, Ciro Gomes (PDT), avaliou que a saída de Teich é uma “irresponsabilidade” por parte do governo. “Parece brincadeira... Bolsonaro provoca demissão do recém nomeado ministro da saúde. Razão alegada: o ministro, que é medico, apesar de toda sua incompetência e patetice, não aceitou promover o genocídio que Bolsonaro parece querer provocar!”

Partidos e organizações

Para o PSDB, a segunda troca no comando do ministério em menos de um mês mostra que o governo “não tem planos factíveis para combater a pandemia”. 

“Ao invés de buscar soluções, o presidente tem preferido desmoralizar agentes públicos e confrontar governadores e prefeitos que realmente fazem o trabalho de combate à doença. Enquanto milhares morrem perdemos tempos em políticas de tentativas e erro”, diz uma sequência de mensagens do partido, assinadas pelo deputado federal Bruno Araújo (PE), presidente nacional do partido.

Em nota, o Partido Novo – que atua de forma próxima ao governo em votaçõe-chave – chamou de preocupante a saída de Teich e pediu uma solução rápida para a crise.

“Precisamos de uma resposta rápida e eficaz para a crise e profissionais técnicos e qualificados para lidar com o atual cenário brasileiro. A bancada do NOVO na Câmara defende tomadas de decisões baseadas em fatos e evidências científicas. O Ministério da Saúde é uma pasta que deve ter esses preceitos como norte”, afirmou o partido.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) manifestou preocupação com a instabilidade no Ministério da Saúde pelo fato de o país atravessar a maior calamidade da história recente na saúde pública.

“Estabilidade, unidade técnica, esforços conjuntos, ações efetivas e compromisso com a vida e com saúde da população é o que se espera dos gestores neste momento. Em todas as esferas de Governo”, afirmou Alberto Beltrame, presidente do Conass.

“A instabilidade e a falta de ações coordenadas e claras, neste momento, são inimigas da saúde e da vida.”

Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que a demissão de Teich é consequência do que chamou de esforço do presidente Bolsoanro para “destruir o Brasil”. “E assim, com método e paciência, Bolsonaro vai destruindo o Brasil e semeando a morte e o descrédito”, escreveu Santa Cruz em sua conta no Twitter.