Polícia prende preventivamente manifestantes que ameaçaram Alexandre de Moraes

Eles são acusados de ameaça, injúria e difamação durante protesto na porta da casa do ministro do Supremo Tribunal Federal

Estadão Conteúdo
16 de maio de 2020 às 21:13 | Atualizado 17 de maio de 2020 às 09:41

O ministro Alexandre de Moraes, do STF

Foto: Rosinei Coutinho - 20.fev.2020/ STF

A Polícia Civil de São Paulo prendeu preventivamente neste sábado (16) o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri, da Frente Brasileira Conservadora, e Jurandir Pereira Alencar, manifestantes acusados de ameaça, injúria e difamação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois foram presos em acampamento montado na Praça Abilio Soares em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo, por policiais infiltrados.

A dupla que está recolhida no 15º Delegacia da Polícia Civil de São Paulo já havia sido detida no último dia 2 durante manifestação em frente à casa do ministro do Supremo, mas foi liberada mediante meiddas restritivas. As detenções em flagrante resultaram ainda em uma segunda investigação sobre novos delitos de desobediência, infração de medida sanitária preventiva e incitação ao crime, indica a Polícia Civil.

Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela juíza Ana Carolina Netto Mascarenhas no plantão judiciário deste sábado, 16, após a Antônio e Jurandir descumprirem as medidas que lhes foram impostas. Na decisão, a magistrada destacou que o encarceramento era necessário porque '(Antônio e Jurandir) desrespeitaram o benefício da liberdade provisória concedido, bem como para a garantia da ordem pública, imprescindível neste momento vivido'.

Antônio e Jurandir eram parte do grupo de manifestantes pró-Bolsonaro que fez um protesto no último 2, em frente ao prédio onde Alexandre de Moraes tem residência, logo após o ministro suspender a nomeação de Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência, para a chefia da Polícia Federal.

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Com uso de um megafone, cerca de 20 manifestantes, com carros parados na calçada cobertos com a bandeira do Brasil, xingavam Moraes e pediam para que ele descesse até a rua. O ministro foi chamado de "comunista que não gosta de polícia" e que estava "com medo do Ramagem". Jurandir e Antônio foram detidos na ocasião e depois liberados mediante aplicação de medidas restritivas.

A dupla foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo por crimes de ameaça, injúria e difamação, tendo o juiz Márcio Lucio Falavigna Sauandag, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, já aberto o processo.

Assinada pela promotora Alexandra Milaré Toledo Santos, a denúncia aponta que Bronzeri teria utilizado um alto-falante para ameaçar o ministro, dizendo que 'você e sua família jamais poderão sair nas ruas deste país, nem daqui a vinte anos' e 'nós iremos defenestrá-los da terra'.

"Na mesma ocasião, os denunciados, juntamente com os coautores não identificados, em via pública, aos olhares de vizinhos e transeuntes, injuriaram e difamaram a vítima chamando-a, através do microfone acoplado ao alto-falante, de 'advogado do PCC', 'ladrão', 'corrupto', 'covarde', 'canalha', 'safado', 'veado', 'maricas', dentre outras ofensas, sendo toda a ação gravada por câmeras", detalhou a promotora.

Bronzeri foi alvo na semana passada de notícia-crime movida pelo governador João Doria (PSDB) após publicar vídeo no Youtube defendendo aos moradores de São Paulo que reabrissem seus comércios e chamá-lo em caso de empecilho para enxotar fiscais do governo 'a pontapés'.

O advogado Fernando José da Costa, que defende o governador, alega ter visto 'crime de resistência' nas declarações, visto que decretos estaduais restringem a abertura de serviços apenas para aqueles considerados essenciais. A medida foi adotada para reduzir o contágio pelo novo coronavírus no Estado, epicentro da covid-19 no País.