Se eu fosse governador do Rio, não brigaria com Bolsonaro, afirma Eduardo Paes

Para o ex-prefeito do Rio de Janeiro, governador, prefeito e presidente precisam trabalhar em conjunto, especialmente em tempos de pandemia do novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
19 de maio de 2020 às 21:57

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (19), o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (DEM) afirmou que se fosse governador do estado hoje, daria um jeito de não brigar com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), muito menos durante a pandemia do novo coronavírus.

“Acho que o governador, o prefeito e o presidente precisam trabalhar em conjunto. No Rio, temos 1.800 leitos fechados e prontos para atenderem a população. Boa parte está na rede municipal e federal e, enquanto isso, fazemos um monte de hospital de campanha. Não estou dizendo que não precisa, mas se abrisse os leitos que já existem... Isso é o que? Articulação”.

A maneira que Bolsonaro conduz a pandemia, na avaliação de Paes, é um “absurdo”. “Ele é o grande líder do país. Ele tem que ser o grande líder e integrar os diferentes líderes de governo para trabalharem em conjunto”.

Para o ex-prefeito, a situação econômica é importante, mas não mais que a vida. “Talvez se esse tema tivesse sido endereçado de uma maneira mais racional desde o primeiro momento, talvez estivéssemos avançados, fazendo uma [re]abertura como muitos países fizeram de maneira organizada”.

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Interferência de Bolsonaro na PF 

Questionado sobre a suposta interferência do presidente no comando da Polícia Federal, conforme o ex-ministro da Justiça Sergio Moro denunciou, Paes disse que o que se tem nesse momento é uma especulação e que não seria responsável de sua parte acusar o presidente. 

“Eu quero crer que nada disso seja verdade”, disse.

Paulo Marinho

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o empresário Paulo Marinho afirmou que um delegado alertara, em 2018, o então deputado estadual do Rio Flávio Bolsonaro, filho do presidente, que uma investigação em curso na PF no Rio atingiria seu gabinete.

Paes disse ter uma boa relação com o empresário, mas que ele nunca foi um personagem da política carioca e que não tinha nenhuma relevância no cenário político.

“Ele é uma pessoa muito bem relacionada no Rio, um empresário muito bem sucedido. Mas confesso que apesar de ter uma ótima relação com o Paulo, tomei um susto quando começou a eleição e vi ele como suplente de Flávio Bolsonaro. Eu não entendi muito o que era aquilo, não sabia nem dessa relação”, afirmou.