‘Aliança tardia’, diz Renan Calheiros sobre aproximação de Bolsonaro e centrão


Da CNN, em São Paulo
21 de maio de 2020 às 18:52 | Atualizado 21 de maio de 2020 às 19:13

Em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (21), o senador Renan Calheiros (MDB-AL) afirmou que considera “tardia e desesperada” a aproximação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com os partidos de centro, alegando que esta proximidade ocorre justamente em um momento de crise no governo. 

“O Bolsonaro faz um governo errático, tem cometido vários erros e essa procura desesperada no momento que a circunstância se agrava, por uma aliança no Congresso, pelos canais da política, acho que é uma aliança tardia. Qualquer aliança precisa acontecer em torno de propósito e objetivo e, não meramente de cargos”, afirmou.

Calheiros considera grave a situação da pandemia de coronavírus no Brasil e atribui à Presidência o controle desta crise. 
 
“Se o Bolsonaro continuar a cometer erros, não há centrão que consiga livrar o pescoço dele, a pandemia tem se revelado muito grande, parece crescer a níveis geométricos e temos que fazer alguma coisa. O presidente não pode ser um entrave para a situação. O exterior faz uma gozação do governo, a imprensa também, o presidente tem se isolado. Ele o mais rapidamente possível precisa fazer uma auto crítica”. 

“No Brasil, nós temos a crise sanitária, econômica e social, e temos uma inútil crise política”, acrescentou o senador. 

Leia também:

Governo coloca indicado do centrão em direção de fundo com orçamento de R$ 30 bi

Centrão mira orçamento de R$ 78,1 bi com cargos loteados em governo Bolsonaro

Denúncias e delações

Renan Calheiros comentou as denúncias que foram feitas a ele, acusou o Ministério Público e afirmou ter sido citado em “todas as delações”.

“Contra mim foram feitas várias investigações a pedido do Ministério Público, eu fui citado em pelo menos todas as delações, de delatores que sequer me conheciam. Mas eu respondi, estive presente e hoje o STF (Superior Tribunal Federal) já arquivou 2/3 dessas acusações. Óbvio que quando pretendiam criminalizar a política, claro que tinham que pegar o presidente (do Senado), quem representava o poder legislativo. Eu submeti meu nome a apreciação do eleitorado, o MPF fez contra mim uma campanha pública, com os bolsominions, eu fiz a denúncia de mais de 20 mil perfis falsos, robôs, que me atacavam toda vez que eu criticava o presidente, mas eu resisti”.