Paulo Marinho diz que entregou provas ao Ministério Público

Empresário disse que falou sobre fatos posteriores ao episódio em que delegado da PF teria passado informações sigilosas à campanha de Bolsonaro

Fernando Molica
Por Fernando Molica, CNN  
21 de maio de 2020 às 19:49
Paulo Marinho deixa prédio da Procuradoria-Geral no Rio de Janeiro
Foto: CNN (21.mai.2020)

O empresário Paulo Marinho disse à CNN que entregou o Ministério Público Federal -onde depôs na tarde desta quinta-feira (21)- provas de que, em 2018, um delegado da Polícia Federal vazou informações de um inquérito para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. Afirmou ainda ter acrescentado novos fatos à investigação.

Segundo Marinho, suas  declarações também reforçam acusações feitas a Bolsonaro pelo ex-ministro Sergio Moro. O empresário afirmou que essas informações dizem respeito ao interesse de Bolsonaro de ter influência na Superintendência da Polícia Federal no Rio. 

   Leia também:

   Marinho termina depoimento e pede investigação sobre suposta devassa em contas

   PF avisou Flávio Bolsonaro do caso Queiroz antes da eleição, diz suplente

Marinho, porém, não quis adiantar que novas informações forneceu à Polícia Federal (onde depôs na quarta-feira) e ao MPF. Disse que, para ele, é importante que detalhes de suas declarações não sejam divulgados agora. Afirmou ainda que o MPF vai aprofundar as investigações.

Segundo ele, o depoimento de hoje, gravado em vídeo, foi mais amplo do que o prestado à PF. Disse que as perguntas ,feitas pelo coordenador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do MPF-RJ, Eduardo Benones, também abordaram fatos posteriores ao episódio em que o delegado da PF teria passado informações sigilosas à campanha de Bolsonaro. Benones também acompanhou o primeiro depoimento.

Marinho disse ter pedido ao Ministério Público para apurar a informação, divulgada pelo site "O Antagonista", de que estaria sendo feita uma devassa em suas contas bancárias.

O empresário deverá prestar um novo depoimento à Polícia Federal -a Procuradoria-Geral da República reivindicou que ele seja ouvido no inquérito do Supremo Tribunal Federal que apura as acusações de Moro ao presidente da República.