Marinho termina depoimento e pede investigação sobre suposta devassa em contas

Empresário deixou a Procuradoria-Geral no Rio depois de prestar depoimento sobre as denúncias de que Flávio Bolsonaro teria recebido informações da PF

Da CNN, no Rio e em São Paulo
21 de maio de 2020 às 16:59 | Atualizado 21 de maio de 2020 às 17:56

O empresário Paulo Marinho prestou depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (21) e, ao deixar o local, disse que solicitou investigação sobre uma suposta devassa de suas contas pessoais por “pessoas poderosas de Brasília”.

“Fiquei perplexo com a notícia que eu li hoje sobre que estão sendo feitas devassas nas minhas contas por pessoas poderosas de Brasília. Aproveitei o depoimento e solicitei ao procurador que tomasse as providências para apurar os fatos”, afirmou.

'Rico em detalhes'

Suplente do senador Flávio Bolsonaro, Marinho foi convocado para depor depois de dizer ao jornal Folha de S. Paulo que o filho do presidente Jair Bolsonaro teria sido avisado com antecedência sobre a Operação Furna da Onça, ocorrida em 2018, que envolveu o ex-assessor Fabrício Queiroz.

Na quarta-feira (20), Marinho prestou depoimento de cinco horas à Polícia Federal (PF). Nesta quinta, ele afirmou que apresentou novos elementos ao MPF. Ele foi ouvido novamente após pedido do MPF, que queria um depoimento sem a presença de policiais, já que a apuração é justamente sobre vazamento de informações da PF.

“As provas que apresentei [na PF] são as mesmas que apresentei hoje aqui”, afirmou. “Apenas meu depoimento foi mais rico em detalhes do que meu depoimento na Polícia Federal. Porque eles [PF] limitaram uma data do interesse deles em relação às investigações. Aqui o interesse foi ampliado, com riqueza de detalhes e noção de tempo em que os fatos ocorreram”.

Sobre o pedido de proteção policial feito ao governador do Rio, Wilson Witzel, Paulo Marinho afirmou ter sido necessário por ter recebido ameaças. “Não tenho informações sobre as origens das ameaças. São das redes sociais, num tom agressivo. Eu tenho família, quatro filhos, neta para nascer, e tenho responsabilidade com a proteção”.

Segundo o procurador Eduardo Benones, que acompanhou o depoimento, as declarações de Marinho mostram que há razões para as investigações continuarem.

"Com o depoimento de hoje, de ontem, a gente acredita que há razões pra continuar investigando. Vamos decidir agora quais passos adotar. Ainda não sabemos quem chamar. A partir de hoje, fica mais claro que é preciso ser investigado", afirmou.