Bolsonaro xinga Doria, Witzel e prefeito de Manaus e sugere armar população


Da CNN, em São Paulo
22 de maio de 2020 às 18:45 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 22:49
Jair Bolsonaro

Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na reunião ministerial em 22 de abril, no Palácio do Planalto.

Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) xingou os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), durante a reunião ministerial do último dia 22 de abril. O presidente chega a dizer que "se tivesse armado, ia pra rua", de acordo com a transcrição divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

"O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta", disse Bolsonaro.

O governador João Doria afirmou, nas redes sociais, que "o Brasil está atônito com o nível da reunião ministerial'. "Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Supremo, demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República. Lamentável exemplo em meio a maior crise de saúde da história do país e diante de milhares de vítimas."

Em sua manifestação, Wilson Witzel afirmou que "a falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes". O governador do Rio retomou a reunião acontecida nesta quinta-feira (21), em que Bolsonaro teve uma discussão considerada positiva pelos executivos estaduais. "O que o povo, governadores e prefeitos mais querem é aquele presidente ouvidor da nossa reunião de quinta-feira. Aquele presidente supostamente equilibrado".

Já o prefeito Arthur Virgílio Neto disse que "não se surpreendeu com os insultos do presidente Jair Bolsonaro", a quem chamou de "pessoa de baixo nível e que não tem mais a mínima condição de governar o Brasil". 

As medidas adotadas são colocadas pelo presidente em um contexto de cobrança ao então ministro da Justiça, Sergio Moro, e ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, para que assinem uma "portaria" sobre o armamento. "É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado". 

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"Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua", disse. "Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme", em referência ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro e o general Fernando Azevedo, titular da Defesa.

O armamento ainda é citado em outro trecho, quando o presidente Jair Bolsonaro lista as "bandeiras" que ministros deveriam aceitar para permanecer nos cargos. Discussões a respeito da legislação para armamento eram uma das principais divergências entre Bolsonaro e Moro.

Há ainda uma cobrança mais direta ao ex-ministro da Justiça a respeito dos prefeitos. O presidente Jair Bolsonaro critica a atuação de Moro em relação a "prisão por parte de prefeitos". "Prefeitinho lá do fim do mundo, um jaguapoca dum prefeito manda prender. Tem que a Justiça se posicionar. .. se posicionar sobre isso, porra! Tem que se posicionar sobre isso, abertamente! Não admitimos prisão por parte de prefeitos, e o decreto!", afirmou.

Em entrevista à rádio Jovem Pan na tarde desta sexta-feira, horas após a divulgação do conteúdo da reunião, Bolsonaro foi questionado se pediria desculpas aos governadores.

"Foi uma reunião reservada que não era pra ser divulgada, como vocês (jornalistas) fazem com a reunião de pauta aí, pode se dirigir à alguma autoridade assim. Agora que o vídeo já foi divulgado paciência, toca o barco aí", disse o presidente.