Em entrevista, deputada Carla Zambelli antecipou ações da PF contra governadores


Da CNN, em São Paulo
26 de maio de 2020 às 08:54 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 10:47

A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou, durante em entrevista à Rádio Gaúcha nessa segunda-feira (25), que a Polícia Federal (PF) deflagaria nos próximos meses operações contra governadores.

A declaração foi feita na véspera da Operação Placebo, que cumpre mandados de prisão em São Paulo e no Rio de Janeiro, incluindo na residência oficial do governador fluminense, Wilson Witzel (PSC), na casa onde ele morava antes de ser eleito e no escritório da esposa, Helena.

“A gente já teve algumas operações da Polícia Federal que estavam ali, na agulha para sair, mas não saíam. A gente deve ter, nos próximos meses, o que vamos chamar de ‘Covidão’ ou de... Não sei qual vai ser o nome que eles vão dar, mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”, disse a parlamentar na entrevista.

Zambelli também afirmou que a polícia do Rio de Janeiro poderia plantar provas contra os filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para favorecer o governador Witzel.

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“Existe algo dentro da Polícia Civil do Rio de Janeiro, a mando do Witzel, para incriminar o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ)”, acusou Zambelli. Ela não disse, no entanto, do que se trataria esse esquema ou que provas teria para corroborar essa acusação.

Para ela, a explicação se dá, no entanto, pelo fato de que o governador do Rio teria o objetivo de ser presidente da República.

“Eu vou dizer uma coisa para vocês em primeira mão, que outros veículos não deixaram eu dizer: o Witzel tomou posse, na segunda semana que ele era governador do Rio de Janeiro ele fez uma reunião com várias pessoas abaixo dele e um deles não está mais no governo e me contou isso. Na segunda semana, estou falando de janeiro de 2019, ele disse: ‘eu serei o próximo presidente da República’. O Witzel tem clara intenção de ser o presidente da República”, afirmou.

Nesta terça-feira (26), Zambelli foi questionada em sua conta no Twitter pela deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) sobre as informações antecipadas a respeito das operações da Polícia Federal. Zambelli respondeu: "Se eu tivesse informações privilegiadas e relações promíscuas com a PF, a operação de hoje seria chamada de 'Estrume' e não 'Placebo'."

Resposta de Witzel

Em nota divulgada nesta terça-feira (26), Witzel acusou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de oficializar a interferência na PF.

"Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará", afirmou Witzel.

Menção a Moro

Ainda na entrevista à Rádio Gaúcha, Zambelli acusou Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, de fazer "investigações seletivas".

“Ele tinha predileção em investigar e condenar o PT, legitimamente (...). Se falava [dentro da Polícia Federal] sobre a falta de suporte operacional para que a investigação corresse mais solta. Hoje, eu olho para trás e verifico que essa falta de suporte operacional pode estar ligada ao fato de que o Sergio Moro tinha uma investigação seletiva”, disse.

Nova direção na PF do Rio

Em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) publicada na noite dessa segunda, o delegado Tácio Muzzi Carvalho e Carneiro foi oficializado como novo superintendente regional de Polícia Federal no Rio de Janeiro. A indicação dele já era esperada.

A condução de Muzzi ao cargo foi assinada pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça, Tercio Issami Tokano, que referendou diversas outras nomeações na mesma edição do Diário Oficial, incluindo mudanças na chefia da PF em outros estados.

A direção da Polícia Federal no Rio de Janeiro está no centro das divergências entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro, que acusou o presidente de tentar interferir na corporação.

Segundo depoimento de Moro na investigação que apura o caso, o presidente teria dito ao então ministro que ele "tinha 27 superintendências da Polícia Federal" e que ele, Bolsonaro, "queria apenas uma, a do Rio de Janeiro".