Allan dos Santos se defende e compara ministro Alexandre de Moraes a Hitler


Da CNN, em São Paulo
27 de maio de 2020 às 11:03 | Atualizado 10 de setembro de 2020 às 20:10

Alvo de mandados de busca e apreensão na operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (27), o jornalista e empresário Allan dos Santos, do site Terça Livre, comparou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao ditador Adolf Hitler, ao se defender no caso do inquérito das fake news, que é conduzido pelo STF.

"É inconstitucional você não ter acesso aos autos. Eu nunca soube o que o STF queria nesse inquérito, se sou réu, investigado. Fui intimado duas vezes e não fui porque o processo estava sendo desrespeitado. Meus advogados nunca tiveram acesso aos autos. Agora, Alexandre de Moraes usa de toda a força do estado. Assim como Hitler, ele age como os nazistas agiram e como os comunistas costumam agir", declarou ele. "Se aqui fosse os EUA, as minhas prerrogativas constitucionais estariam sendo respeitadas, mas não estão. Estamos no Brasil e não estamos vivendo em uma democracia", acrescentou.

Leia também:

STF: inquérito das fake news mira aliados de Bolsonaro

Veja quem são todos os alvos da operação contra fake news

Moraes, do STF, manda PF ouvir deputados alvo de operação em dez dias

O jornalista se defendeu, disse que não recebe dinheiro público e que nada contra ele será encontrado na investigação.

"Vai ser patético para a Suprema Corte inteira, porque eles vão revirar todos os nossos documentos do Terça Livre, ver que a gente vive de todos os produtos que a gente vende – cursos e revista. Diferente da maioria da imprensa, a gente não recebe dinheiro da Secom [Secretaria Especial de Comunicação Social], nenhum financiamento público como todas as empresas que estão aqui na minha casa. Vai ser patético e mais um episódio que vai desmoralizar o STF, porque vão perceber que vivemos do Youtube, dos cursos, revistas e livros que vendemos", declarou.

Santos também citou motivação política para a ação contra ele. "Desde o início eu falei para eles virem aqui. Falei que estava esperando eles", afirmou ele, que ainda fez alegações sobre uma suposta conversa entre os ministros Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Alexandre de Moraes, do STF, para "derrubar" o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Allan classificou isso como um "atentado à democracia". "Não querem respeitar o voto e as pessoas que elegeram Bolsonaro", considerou.

A operação

A Polícia Federal cumpre 29 mandados de busca e apreensão, na manhã desta quarta-feira (27), referentes à investigação sobre notícias falsas conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que apura ameaças a ministros.

As ordens judiciais estão sendo cumpridas em 14 endereços de São Paulo (11 na capital e 3 em Araraquara, no interior do estado), 3 do Distrito Federal, 6 do Rio de Janeiro, 1 do Mato Grosso, 3 do Paraná e 3 de Santa Catarina.

O inquérito, que corre em sigilo, foi aberto no dia 14 de março de 2019 pelo presidente do STF, Dias Toffoli, com a intenção de investigar a existência de uma rede de produção e propagação de fake news.

O blogueiro Allan dos Santos, próximo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

O jornalista Allan dos Santos, próximo ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fala à imprensa

Foto: CNN (27.mai.2020)