PF intima investigados no inquérito das fake news a prestar depoimento


Kenzô Machida, da CNN, em Brasília
01 de junho de 2020 às 20:51 | Atualizado 02 de junho de 2020 às 08:17
Allan dos Santos

O jornalista e empresário Allan dos Santos durante operação de busca e apreensão da PF em sua casa, na cidade de Brasília; ação cumpre decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes

Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

A Polícia Federal intimou nesta segunda-feira (1º) os investigados no inquérito das fake news para que prestem depoimento nos próximos dias. A defesa da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) pediu para ter acesso à investigação.  

A ativista Sara Winter teria que prestar depoimento na terça feira (2), mas declarou, por meio do perfil que manté no Twitter, que não irá comparecer.

"A PF acabou de sair da minha casa, entraram ILEGALMENTE, NÃO SE IDENTIFICARAM e vieram deixar uma intimação pra depor daqui a 2 dias, EU NÃO VOU! Vão me prender? Me tratar como bandido? Vão ter q se prestar a isso!"

No dia seguinte, será a vez de o blogueiro Allan Lopes dos Santos ser ouvido, e na quinta-feira (4), o ativista Winston Rodrigues.

A deputada Carla Zambeli também foi intimada para prestar depoimento nesta terça (2), mas a defesa conseguiu adiar o procedimento para quinta (4) e pediu vista do inquérito.

No pedido da defesa, os advogados da parlamentar entendem que ela não pode ser ouvida sem que tenha conhecimento do fato pelo qual é investigada, e diz ainda que, sem acesso aos autos, poderá não prestar esclarecimentos e exercerá seu direito de permanecer em silêncio. O inquérito, presidido pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes corre em sigilo.  

Os depoimentos que serão colhidos nesta semana são desdobramentos da operação policial da última quarta-feira (27), que apreendeu documentos, computadores e celulares no inquérito que apura a produção e disseminação de conteúdo falso.

A ação foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, e teve como alvo blogueiros, youtubers e empresários suspeitos de participação em uma rede que propaga ataques a ministros da Corte e a seus familiares.