Parlamentares acusados de fake news dizem ao STF que não vão depor


Iuri Pitta, Basília Rodrigues e Rudá Moreira Da CNN em São Paulo e em Brasília
02 de junho de 2020 às 12:14 | Atualizado 02 de junho de 2020 às 14:28

Dos seis deputados federais que foram chamados a depor sobre a divulgação de notícias falsas, cinco não pretendem ir. Alguns já informaram ao próprio Supremo Tribunal Federal (STF) que não irão comparecer. "Informei que não irei. Diante das flagrantes ilegalidades, inconstitucionalidades e prerrogativas violadas. Ademais, está pendente de julgamento nossos HC (habeas corpus) e agora [Dias] Toffoli [presidente do STF] marcou data para o plenário avaliar o inquérito", afirmou Filipe Barros à CNN.

O julgamento está marcado para a próxima quarta-feira (10), antes do feriado. Em vídeo publicado na internet, o deputado Daniel Silveira também criticou a investigação. "Se eu sou um dos autuados, se eu fui citado, mencionado, intimado, eu preciso saber do que se trata para que eu possa montar minha defesa." Silveira se refere ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, como "Torquemada", um frade conhecido como Grande Inquisidor, do século XV. 

Também indagado pela CNN por que não irá, o deputado Junio Amaral acusou o inquérito de ser ilegal. "Na minha condição de parlamentar não há porque me submeter a essa ilegalidade. Também por causa do twitte do Alexandre de Moraes afirmando que estamos dizendo mentira sobre não ter acesso aos autos. Mentira dele!". Amaral seria ouvido nesta quarta-feira, às 14h.

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A deputada Bia Kicis (PSL-DF) afirmou à CNN que não vai prestar depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira (2). A deputada também negou que tenha sido notificada oficialmente pela Justiça sobre o depoimento. 

Bia Kicis afirmou, por telefone, que peticionou um requerimento para ter acesso à cópia do inquérito. A deputada do PSL alegou, ainda, que o ministro Alexandre de Moraes errou ao divulgar pelas redes sociais que "foi autorizado integral conhecimento dos autos  aos investigados no inquérito que apura 'fakenews'".

"Lamentavelmente o gabinete do ministro [Alexandre de Moraes] produziu uma 'fake news'", afirmou Kicis.

Única parlamentar a dizer que irá depor, a deputada federal Carla Zambelli está com depoimento marcado para quinta-feira (4).

O deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP) afirmou que nem chegou a marcar data para a oitiva. "Não houve identificação no inquérito se eu sou réu ou testemunha. Não tendo esse esclarecimento, não há por que eu ir a qualquer oitiva", disse o parlamentar. "Acho um descabimento prestar depoimento num inquérito cuja legalidade não exista. Mesmo que o STF vote pela legalidade no dia 10 de junho, teriam que reabrir o processo, pois esse violou vários itens processuais."

Outros alvos do inquérito também recorreram. Os empresários Luciano Hang e Otávio Fakhouri pediram acesso aos autos. Fakhouri pede ainda para não depor.

Na noite desta segunda-feira (1º), o gabinete de Alexandre de Moraes divulgou que "diferentemente do que vem sendo alegado falsamente, foi autorizado efetivo e integral conhecimento dos autos a todos os investigados no inquérito que apura 'fake news', ofensa e ameaças a integrantes do Supremo Tribunal Federal, ao Estado de Direito e à Democracia, com a obrigação da manutenção do sigilo das investigações".