Bolsonaro diz que governo agirá se protestos passarem 'limite da racionalidade'


Anna Gabriela Costa, da CNN em São Paulo
04 de junho de 2020 às 21:07 | Atualizado 05 de junho de 2020 às 06:48

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, durante transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira (4), que "grupos terroristas começaram a aparecer no Brasil" e voltou a pedir a seus apoiadores que não se manifestem no domingo (7). Segundo Bolsonaro, o governo está preparado para agir caso as manifestações "ultrapassem o limite da racionalidade".

“Domingo agora, pedimos que não participe desses movimentos, deixa eles mostrarem só eles, o que é democracia para eles. Não estou torcendo para ter quebra-quebra, mas a história mostra que esses marginais que vestem preto, eles quebram monumentos, machucam pessoas. O poder Executivo está se preparando para reagir caso esse pessoal ultrapasse o limite da racionalidade."

Segundo apuração do colunista da CNN Caio Junqueira, Bolsonaro avalia convocar a Força Nacional de Segurança para controlar as manifestações contra o governo neste domingo.

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O presidente chamou os manifestantes antifascistas -- como os que participaram do protesto contra o governo no domingo passado em São Paulo -- de "bando de marginais" e disse que o grupo deveria ser considerado terrorista por lei.

"Domingo ninguém comparece, vamos ficar ligados que esse pessoal do 'antifas' [abreviação de antifascistas] quer roubar a sua liberdade”, disse.

No domingo (31), o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que quer designar o grupo Antifa como uma organização terrorista.

Bolsonaro afirmou que não convoca ninguém para os atos em apoio ao seu governo que se repetem há vários fins de semana, principalmente em Brasília, e rechaçou ser associado a participantes destas manifestações pró-governo que também declaram apoio a pautas como uma intervenção militar -- o que é inconstitucional.

Apesar da crítica, o presidente afirmou que as pessoas têm o direito de manifestar o apoio a tais ideias.

"Nunca convoquei ninguém para movimento nenhum, lamentavelmente um ou outro coloca uma faixa lá que não tem nada a ver com democracia, mas é um direito dele", disse o presidente.

Cloroquina

O presidente Jair Bolsonaro voltou a falar sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento contra o coronavírus.

“Agora a OMS voltou atrás, sei que não sou médico, sempre disse que não existia comprovação cientifica, mas não tem outro remédio sem ser a cloroquina. Se não quer tomar não toma, não vou obrigar você a tomar. Se levar em conta a idade, as chances de curar é muito pequena, quer tomar, tome”. 

Ontem (3), a Organização Mundial da Saúde anunciou vai retomar os testes com hidroxicloroquina para o tratamento do novo coronavírus. Os testes com a substância para o tratamento da Covid-19 foram suspensos pela OMS após um estudo da revista médica The Lancet relatar um aumento na taxa de mortalidade entre os pacientes que utilizaram o medicamento. 

Mesmo sem comprovação científica da eficácia da hidroxicloroquina, no Brasil, o Ministério da Saúde divulgou um protocolo que amplia a recomendação do uso do medicamento em pacientes com Covid-19. Segundo o documento, a substância pode ser administrada mesmo em casos leves.