Esconderijo de Queiroz começou a ser monitorado há 11 dias


Da CNN, no Rio
18 de junho de 2020 às 16:35 | Atualizado 18 de junho de 2020 às 17:13


Uma conversa, através de mensagens, com Márcia Oliveira de Aguiar, mulher  de Fabrício Queiroz, na qual ela relatava que o ex-assessor do então deputado Flávio Bolsonaro, estava vivendo “escondido numa casa”, foi a pista que os promotores do Ministério Público do Rio de Janeiro precisavam.  

A forma como os promotores conseguiram chegar na localização de Queiroz não pode ser divulgada por ser uma estratégia de investigação de Inteligência. Os investigadores conseguiam localizar o ponto físico do tal “esconderijo”, mas até ao momento da prisão não tinham certeza absoluta que era o local onde Queiroz já vivia há um ano. 

Leia também:

Vídeo: imagens mostram operação que prendeu Fabrício Queiroz em Atibaia

PF avisou Flávio Bolsonaro do caso Queiroz antes da eleição, diz suplente

MPF vê "fortes indícios" de lavagem de dinheiro em bens de Flávio Bolsonaro

Operação que prendeu Queiroz cumpriu mandado em imóvel vizinho ao de Bolsonaro

O esconderijo era um imóvel de propriedade do advogado Frederick Wassef, que atua na defesa da família Bolsonaro. E isso também foi bastante revelador na investigação e um importante instrumento para balizar o MP. 

Queiroz, que também é Policial Militar reformado, começou a ser monitorado pela Polícia Civil de São Paulo há 11 dias. O pedido partiu de promotores do Rio. Os policiais passaram a fazer monitoramento do local – ou campana como se diz no jargão policial – para tentar confirmar quem vivia lá. Porém, Queiroz nunca saiu da casa. Em nenhum momento, durante esses 11 dias, ele foi até o lado de fora de imóvel, mas os agentes se concentraram nos detalhes como: movimento discreta lá dentro e a luz acendia e apagava sempre nos mesmos cômodos. Nem mesmo o delegado responsável por conduzir o apoio da investigação ao MP sabia que o alvo era Queiroz.

Os promotores tinham certeza que alguém estava escondido no imóvel, ao cruzarem informações de inteligência e que o dono da casa era Wassef, os investigadores concluíram que se tratava de Queiroz e solicitaram à Justiça o pedido de prisão. 

Durante o monitoramento do imóvel, os policiais desconfiaram que funcionários de Wassef faziam um trabalho de “contra-inteligência”, ou seja, eles vigiavam a casa para tentar descobrir se o local estava sendo monitorado e assim permitir uma fuga de Queiroz antecipada do local, caso a polícia chegasse.