Senado barra entrada de PF no gabinete de José Serra


Basília Rodrigues
Igor Gadelha
21 de julho de 2020 às 09:19 | Atualizado 21 de julho de 2020 às 11:05
 

 

A polícia legislativa do Congresso barrou nesta terça-feira (21) a entrada de policiais federais no gabinete do senador José Serra (PSDB), alvo de uma operação da PF contra caixa 2 em campanhas eleitorais.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a ação, determinada pela Justiça eleitoral de São Paulo. Ele telefonou nesta manhã para o presidente do STF, ministro Dias Toffoli.

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Segundo fontes do Senado, Alcolumbre foi avisado da chegada da Polícia Federal logo cedo pela Advocacia-Geral da Casa. Ao saber que a autorização tinha sido dada por um juiz eleitoral de primeira instância, ordenou que os policiais legislativos não permitissem a entrada dos agentes da PF no gabinete de Serra.

Ainda de acordo com interlocutores, Alcolumbre só pretende autorizar a entrada dos agentes da PF no gabinete de Serra após o Supremo se pronunciar sobre a reclamação. A decisão caberá ao presidente da corte, ministro Dias Toffoli, que toma as decisões mais urgentes da corte durante o recesso do Judiciário. 

O presidente do Senado autorizou que os agentes da PF permanecessem no prédio da Casa até que o STF se pronuncie sobre o assunto. De acordo com fontes da Polícia Legislativa, os integrantes da Polícia Federal se mostraram dispostos a aguardar a decisão da corte para que possam cumprir os mandados no gabinete.

Auxiliares de Alcolumbre dizem ainda que o senador tentou evitar "um espetáculo" ao impedir a entrada de agentes da PF no gabinete de José Serra. A decisão da Justiça Eleitoral permitia o arrombamento de portas e cofres, se fosse negado o acesso.

Na decisão que autorizou a operação, o juiz eleitoral responsável afirmou que precisaria do cumpra-se da autoridade competente e na avaliação do Senado, essa autoridade não é a PF mas o STF.

Também tinha como alvo a apreensão de dinheiro, celulares, computadores, além de "documentos ou outras provas relacionadas aos crimes eleitorais, de associação criminosa e de lavagem de dinheiro, incluindo registros contábeis, agendas, ordens de pagamento e documentos relacionados à manutenção de contas no Brasil e no exterior, em nome próprio ou de terceiros".

Em SP, Serra critica operação

O senador do PSDB acompanha a operação no interior de São Paulo, de acordo com aliados dele no partido. Ele retornou para o estado logo após ter endereços alvos da Operação Lava Jato no início de julho, quando Serra e sua filha Verônica foram denunciados pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro. 

Segundo aliados do senador, ele está cuidando de sua saúde em endereço já informado às autoridades. Serra faz tratamento para um câncer diagnosticado há alguns meses.

Por meio de nota, o senador tucano se disse surpreendido com a operação e disse lamentar ações desse tipo. "A decisão da Justiça Eleitoral é baseada em fatos antigos e em investigação até então desconhecida do senador e de sua defesa, na qual, ressalte-se, José Serra jamais foi ouvido", diz o comunicado.

"José Serra lamenta a espetacularização que tem permeado ações deste tipo no país, reforça que jamais recebeu vantagens indevidas ao longo dos seus 40 anos de vida pública e sempre pautou sua carreira política na lisura e austeridade em relação aos gastos públicos", conclui o texto.

Operação Paralelo 23 

O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal deflagaram, na manhã desta terça-feira (21), uma operação que investiga a existência de caixa 2 na campanha de José Serra (PSDB) ao Senado em 2014.

A Operação Paralelo 23 – terceira fase da Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de SP - cumpre 4 mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão - incluindo no gabinete e no apartamento funcional de Serra na capital federal – em São Paulo, Itatiba, Itu e Brasília. Também foi determinado o bloqueio judicial de contas bancárias dos investigados.