Twitter e Facebook atendem STF e retêm contas de perfis bolsonaristas


Daniel Adjuto
Por Daniel Adjuto, CNN  
24 de julho de 2020 às 14:02 | Atualizado 25 de julho de 2020 às 13:41

O Twitter e o Facebook retiveram, nesta tarde, perfis bolsonaristas nas redes sociais atendendo à decisão do ministro Alexandre de Moraes no inquérito que apura notícias falsas e ameaças a ministros do STF.

Entre as contas suspensas, estão a da ativista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, do ex-deputado Roberto Jefferson, dos blogueiros Allan dos Santos e Bernardo Küster, e dos empresários Luciano Hang e Edgard Corona e Otávio Fakhoury.

Em nota, o Twitter informou que "agiu estritamente em cumprimento a uma ordem legal proveniente de inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF)". "O Facebook respeita o judiciário e cumpre ordens legais válidas", acrescentou a empresa.

Assista e leia também:

CNN tem acesso ao inquérito das fake news

Inquérito das fake news deu resultado, afirma Gilmar Mendes

Em maio, o ministro Alexandre de Moraes determinou o bloqueio das contas nas redes sociais "para a interrupção dos discursos com conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática".

Para justificar o bloqueio da conta de Roberto Jefferson, o ministro Alexandre de Moraes afirmou na decisão que o ex-deputado é "um dos responsáveis pelas postagens reiteradas em redes sociais de mensagens contendo graves ofensas a esta Corte e seus integrantes, com conteúdo de ódio e de subversão da ordem".

Veja a lista completa de contas banidas:

Allan Lopes dos Santos (Twitter e Facebook)
Bernardo Pires Kuster (Twitter e Facebook)
Edson Pires Salomão (Twitter e Facebook)
Eduardo Fabris Portela (Twitter e Facebook)
Enzo Leonardo Suzi Momenti (Twitter e Facebook)
Luciano Hang  (Twitter e Facebook)
Marcelo Stachin (Twitter e Facebook)
Marcos Dominguez Bellizia (Twitter e Facebook)
Rafael Moreno(Twitter e Facebook)
Paulo Gonçalves Bezerra (Twitter e Facebook)
Rodrigo Barbosa (Twitter e Facebook)
Roberto Jefferson (Twitter)
Sara Giromini(Twitter e Facebook)
Edgard Gomes Corona (Twitter)
Luciano Hang (Twitter e Facebook)
Otavio Fakhoury (Twitter)
Reynaldo Bianchi Junior(Twitter)
Winston Rodrigues Lima (Twitter e Facebook) 

Bolsonaristas se manifestam

Alvos da decisão do STF e outros partidários do presidente se manifestaram nas redes sociais sobre a decisão.

“Mais uma censura grave do Supremo. Em pleno terceiro milênio e uma ditadura desses juízes, eu fui censurado mais uma vez. Eu tenho 210 mil seguidores e 90 milhões de interações, estão calando a minha voz”, disse Roberto Jefferson, em entrevista à CNN.

O empresário Otávio Fakhoury também se manifestou. "Estamos na China. Fomos censurados como queriam. Um dos objetivos desse inquérito é censurar e intimidar pessoas ligadasà direita brasileira", disse.

O empresário Luciano Hang se pronunciou por meio de nota. "Recebi com surpresa o bloqueio das minhas redes sociais. Reforço que jamais atentei contra o STF (Supremo Tribunal Federal). Acredito na democracia e que ela só existe através da plena liberdade de expressão, garantida pela Constituição Federal. Todos têm o direito de expressar opiniões individuais. Para construirmos um país cada vez melhor é necessário discutir ideias e manter o debate aberto para toda a sociedade. Isso é o que eu sempre defendi."

Reynaldo Bianchi Júnior negou que financie fake news. "Em primeiro lugar, fui acusado de financiador de fake news, o que JAMAIS provaram e que NUNCA fui. Em todo o processo, não existe NENHUMA prova contra mim. Essa decisão mostra o autoritarismo, ativismo judiciário e destruição da democracia, realizado por alguns ministros do STF.  A sociedade é completamente contra esses atos!"

"Eu, Sara Winter, encaro isso realmente como uma censura a todos os apoiadores do presidente Bolsonaro", disse Sara Giromini. Por meio de nota, sua defesa disse que "denunciará aos organismos internacionais de direitos humanos a grave ofensa à liberdade de expressão, direitos e garantias fundamentais"

Marcelo Stachin disse que jamais fez citações que atacassem quaisquer das instituições. "Sempre defendi a liberdade delas, e que todas possam atuar em conjunto para benefício do nosso país.  Acredito que o Inquérito das Fake News bem com a PL 2630 poderá destruir nossa liberdade, ou o que ainda resta dela. E isso inclui não somente os apoiadores do Presidente Bolsonaro mas a própria imprensa. Hoje somos nós os conservadores, da direita, os bolsonaristas, mas amanhã, serão os outros milhões que iro perder  seu direito à livre opinião. A atuação do STF através do grotesco e inconstitucional Inquérito, é a maior demonstração da ditadura no judiciário brasileiro contra a nossa nação!"

Edson Pires Salomão também acredita ser alvo de censura. "Hoje foi institucionalizado o crime de opinião", afirmou." Foi declarada a censura aos conservadores por meio de uma decisão do STF."

Bernardo Küster manifestou-se por meio de nota de seus advogados. Sua defesa classificou a decisão como censura e disse que ela viola a Constituição, o Marco Civil da Internet, a Convenção Americana de Direitos Humanos e a Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão. "Todas as medidas serão tomadas dentro e fora do país, manifestado, outrossim, nosso mais absoluto repúdio a qualquer espécie de censura e intimidação do jornalista pelas autoridades brasileiras", disse, em nota. 

Rafael Moreno disse que a conduta desrespeita a Constituição e que a atuação do STF está sendo "ditatorial". "Estaão nos amordaçando e querendo suprimir os movimentos a favor do Presidente Bolsonaro e o avanço do conservadorismo. Um atitude execrável e infame, que mostra a face perversa do Politicamente Correto. Continuarei lutando para que seja extirpado a mordaça que nos querem impor, porém comigo não acontecerá", afirmou, em nota. 

Edgard Gomes Corona não vai se manifestar no momento.

(Com reportagem de Larissa Rodrigues, da CNN, em Brasília)