Novo articulador de Witzel diz que sua missão não é salvá-lo de impeachment

Diálogo com o Parlamento é importante, mas votei para fazer gestão e governança do estado, diz André Moura

Leandro Resende, da CNN, no Rio
24 de julho de 2020 às 10:36 | Atualizado 24 de julho de 2020 às 10:48

Menos de dois meses depois de ser exonerado, o ex-deputado federal André Moura voltou ao governo do Rio em meio ao processo de impeachment que o governador Wilson Witzel enfrenta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). À CNN, ele afirmou que sua missão como secretário da Casa Civil não é reverter os votos favoráveis à saída do governador.

“Não tenho obrigação, nem a missão de resolver o impeachment. Não voltei para salvar o governador da Alerj. O diálogo com o Parlamento é importante, mas votei para fazer gestão e governança do estado”, declarou ele, que confirmou que quem intermediou seu retorno para o governo do Rio foi o vice-governador Cláudio Castro. 

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Com bom trânsito até entre os parlamentares que fazem oposição a Witzel, Moura rechaçou que tenha voltado para reverter a acachapante votação simbólica que abriu o processo de afastamento do governador, por 69 votos a 0.

“Estou sabendo agora, por você, que a defesa precisa ser apresentada até o dia 29 deste mês. Não voltei para salvar. Se ele tiver um resultado positivo no plenário, será obra de sua defesa. Vim para fazer gestão do estado. Muita coisa que eu deixei, projetos, não andou”. 

O passado de Moura como articulador político e líder do governo do ex-presidente Michel Temer o credenciam, para aliados de Witzel, a dar uma sobrevida ao mandato do governador fluminense. À CNN, integrantes do governo do Rio disseram que essa é “a última cartada”do governador. Moura já havia sido convidado a retornar ao governo 15 dias após ser exonerado e recusou. Ele irá conversar com Witzel hoje para definir quais pastas ficarão sob seu comando na Casa Civil. “Sempre busquei o diálogo ao longo de toda minha vida, recebia a oposição no meu gabinete, já consegui voto deles a favor do governo. Vou continuar buscando um diálogo respeitoso com a Alerj”, disse. 

Sobre a prisão do ex-secretário de Saúde Edmar Santos, que se tornou réu por corrupção em contratos na pasta, André Moura afirmou que o caso “gera desgaste, como geraria em qualquer governo”. “Essa instabilidade política não pode afetar o cidadão. A máquina precisa voltar a funcionar”, afirmou.