Presidente do BB pediu demissão por causa do inquérito das fake news


Igor Gadelha
Por Igor Gadelha, CNN  
24 de julho de 2020 às 19:55 | Atualizado 25 de julho de 2020 às 10:38
O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, pede renúncia do cargo
O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, pede renúncia do cargo que ocupava desde janeiro de 2019
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, afirmou a integrantes do Palácio do Planalto que um dos principais motivos que o levaram a pedir demissão foi o fato de ter tido seu nome incluído pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no inquérito das fake news, que tramita em sigilo.

Segundo apurou a CNN com fontes do alto escalão da Presidência da República, Novaes deu essa justifica em conversa com o presidente Jair Bolsonaro e integrantes da equipe econômica, que se mostraram surpresos com o pedido de demissão do executivo e irritados com a decisão de Alexandre de Moraes.

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De acordo com essas fontes palacianas, Bolsonaro já está em contato com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para definir o substituto de Novaes no comando do banco público. O nome do futuro presidente da instituição ainda não havia sido definido até o início da noite desta sexta-feira.

Novaes teria sido arrastado para o inquérito das fake news, que tramita em sigilo, após o Tribunal de Contas da União (TCU) investigar repasse de cerca de R$ 119 milhões do Banco do Brasil para publicidade na internet em 2019, inclusive para sites acusados de publicar fake news.

Relator do caso no TCU, o ministro Bruno Dantas chegou a dar decisão determinando que a instituição financeira suspendesse todo o gasto com publicidade com sites, blogs e redes sociais, exceto os que têm confiabilidade comprovada, segundo os critérios propostos por Dantas.

A decisão de Dantas foi referendada pelo plenário do tribunal, que decidiu ainda enviar cópia do processo relatado pelo ministro para o Supremo “a título de subsídio” ao inquérito das fake news. Como a investigação corre em sigilo no STF, não é possível saber ao certo de que forma Novaes foi incluído no inquérito. 

A trava aos anúncios foi imposta pelo TCU após a revelação de que um site que propaga fake news recebia verba do banco público. Nesta semana, o BB apresentou um agravo ao TCU pedindo que a corte de contas reveja a proibição. O banco argumentou que está tendo prejuízos com a proibição.