Se votação fosse hoje, Witzel teria só 3 votos contra impeachment em comissão

Levantamento feito pela CNN indica que entre os 25 membros da comissão, 14 apoiam o afastamento do governador

Stéfano Salles, da CNN, no Rio
28 de julho de 2020 às 10:14
Governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel
Foto: Adriano Machado - 08.mai.2019/Reuters

A suspensão do processo de impeachment enfrentado por Wilson Witzel (PSC) no Rio de Janeiro deu ao governador mais tempo para fazer articulações para barrar o processo na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, diante de um cenário desfavorável na comissão que analisaria seu afastamento. Levantamento feito pela CNN indica que entre os 25 membros da comissão, 14 apoiam o impeachment e apenas três são contra, com oito indecisos. 

Os advogados de Wilson Witzel teriam até quarta-feira para apresentar a defesa do governador, por escrito. No entanto, o ato do presidente do STF, que responde pelo órgão durante julho, quando acontece o recesso, além de destituir a comissão, anulou todos os atos até aqui praticados, e determinou que ela fosse formada novamente.

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Segundo os argumentos da defesa, a formação do colegiado não respeitou os critérios de proporcionalidade das bancadas. Isto é: os partidos com mais assentos na casa deveriam ter maior representação também na comissão, além de eleição, ainda que simbólica, dos membros do colegiado. Uma reunião realizada nesta terça-feira, na Alerj, determinará o posicionamento do parlamento na sequência do processo. A manifestação de Toffoli é liminar, o mérito ainda será julgado. 

Enquanto isto, o governador ganha tempo para reorganizar suas estratégias e bases políticas. A volta de André Moura, ex-líder do governo de Michel Temer no Congresso Nacional, à Secretaria Estadual de Casa Civil é apontada pelos deputados como positiva para a melhora do diálogo com o governo. Moura foi secretário da pasta antes, e deixou a função há dois meses, mas retornou ao posto, a pedido do vice-governador Cláudio Castro. 

Segundo deputados ouvidos pela CNN, a situação de Wilson Witzel é delicada também no plenário. As projeções mais otimistas apontam que, até aqui, ele teria no máximo 15 votos, dos 70 parlamentares da Alerj.