Advogado que doou para Witzel nega relação com empresa investigada pelo MPF 

Lucas Janone*, da CNN, no Rio de Janeiro
29 de julho de 2020 às 14:35
O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), em foto de arquivo
Foto: Wilton Junior -26.dez.2019/Estadão Conteúdo

Apontado como pivô da requalificação da organização social Unir Saúde, investigada pelo Ministério Público Federal, o advogado Antônio Vanderler de Lima negou ter relações com a empresa. Ele prestou depoimento na manhã de hoje a deputados estaduais de duas comissões da Assembleia Legislativa do Rio – a de saúde e a que fiscaliza gastos com a pandemia do novo coronavírus.

Vanderler, que foi o terceiro maior da campanha de Wilson Witzel ao governo do Rio, em 2018, foi ouvido para esclarecer qual a sua participação no processo que reabilitou a Unir para receber dinheiro público pela gestão de unidades de saúde do Rio. 

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Aos deputados, o advogado afirmou que é amigo próximo de Wilson Witzel, mas que não advoga para Unir Saúde. "Nunca falei com ele sobre a requalificação da empresa", afirmou. Disse, ainda, que desconhecia o fato de seu filho prestar serviços para a empresa.

O Ministério Público Federal investiga um possível "ajuste ilícito" entre o empresário Mário Peixoto, preso pela Operação Lava Jato e o governador Wilson Witel para que este revogasse a probição para Unir Saúde poder celebrar contratos com o governo do Rio. Vanderler, segundo a investigação de deputados, seria um dos pivôs dessa revogação.

"Do mesmo jeito que plantaram coisa no meu nome, fizeram o mesmo com o Witzel também. É um vexame", declarou o advogado, que doou R$ 40 mil na campanha do atual chefe do Executivo fluminense. "Essa doação nos afastou. Eu vim me aproximar dele novamente tem pouco tempo. 

Ao longo da oitiva, Antonio Vanderler omitiu o fato de seu filho aparecer como advogado em processos da Unir Saúde. Ao ser questionado, negou que o filho tenha relação com o Witzel, mas afirmou que mantém relação com o governador.

"Eu não sei quem são os clientes do meu filho. Não escondi o nome dele. Eu sempre encontrava o Witzel para tomar vinho, fumar charuto e conversar, apenas como amigos". O advogado também negou ter qualquer relação com o empresário Mário Peixoto. 

Após o encontro, deputados decidiram chamar o filho do advogado, Antonio Vanderler Junior, para que ele falasse sobre sua relação com a Unir.

Parlamentares que participaram da oitiva disseram à CNN que o depoimento dos advogados são peça importante nos trabalhos da comissão que analisa o impeachment de Witzel, suspenso nesta semana por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) atendendo a pedido da defesa do governador.

O tema da requalificação da Unir é um dos que aparece no pedido de saída de Witzel do cargo e já levou representantes da empresa a prestar esclarecimentos aos deputados, que querem entender porquê o governador voltou a autorizar a contratação da empresa mesmo com pareceres contrários. 

*estagiário, sob a supervisão de Leandro Resende