Conselho do MP tem maioria para afastar Deltan Dallagnol da Lava Jato


Basília Rodrigues
Thais Arbex
30 de julho de 2020 às 14:11 | Atualizado 30 de julho de 2020 às 22:37

Há maioria no Conselho Nacional do Ministério Público para punir o procurador chefe da Força Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallgnol. "Ele tem que responder mais do que pela incontinência verbal", afirmou à CNN um dos integrantes do Conselho, se referindo às postagens do procurador em suas redes sociais.

O conselho, que avalia a conduta dos membros do Ministério Público Federal, atualmente está funcionando com onze integrantes. Desses, pelo menos oito demonstram, nos bastidores, serem favoráveis à remoção de Dallagnol da Lava Jato, em um pedido apresentado pela senadora Kátia Abreu. Outra possibilidade é uma suspensão disciplinar no caso em que o procurador publicou no Twitter contra Renan Calheiros, às vésperas das eleições do Senado. 

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Há vários processos contra Deltan na pauta. O conselheiro do caso de remoção, Luiz Fernando Bandeira, deve alegar que trata-se de interesse público. "Ele vai cuidar de outro setor. A Lava Jato não é de uma pessoa só", afirmou à CNN um conselheiro sob a condição de reserva.

O principal argumento tem a ver com a tentativa da Força Tarefa em criar uma fundação para administrar parte dos recursos que ficariam com o Brasil, a partir de um acordo que a empresa firmou com os Estados Unidos para indenizar acionistas lesados pela Lava Jato. A criação da fundação foi suspensa, no ano passado, por decisão da justiça, após o Supremo Tribunal Federal entender que somente o governo tem autorização para administrar recursos públicos e não os investigadores da Lava Jato.

A conduta de Dallagnol ficou em xeque.

De R$ 2,5 bilhões, 80% viriam para o Brasil. Parte disso seria colocada em um fundo gerido por uma fundação independente criada pelo Ministério Público Federal. A sede da fundação seria em Curitiba. Tanto procuradores quanto promotores do Paraná teriam assento no órgão superior de deliberação da fundação. 

Envolto em suspeitas turbinadas pelo procurador geral da República, Augusto Aras, Dallagnol vive um dos momentos de maior desgaste em seis anos de Lava Jato. Ele tem afirmado a pessoas próximas que após a saída do ex-juiz federal, Sérgio Moro, do Ministério da Justiça, se viu mais atacado na instituição.

Em novembro, o chefe da Força Tarefa da Lava Jato foi punido com advertência por críticas a ministros do STF. Ele afirmou, sem citar nome, que os magistrados emitiam "mensagem muito forte de leniência a favor da corrupção", ao retirar da Lava Jato trechos de delação contra o ex-presidente Luis e o ex-ministro Guido Mantega.