Doleiro Dario Messer revelou transações com o então presidente do Paraguai


Fernando Molica
Por Fernando Molica, CNN  
13 de agosto de 2020 às 20:23 | Atualizado 13 de agosto de 2020 às 23:04

Em sua delação premiada, o doleiro Dario Messer detalhou suas relações com o ex-presidente paraguaio Horacio Cartes que, em 2018, quando ainda presidia seu país, aceitou entregar US$ 600 mil (o equivalente a R$ 3,2 milhões hoje) para subornar juízes e viabilizar a fuga do doleiro para o Brasil.

Segundo Messer, os US$ 600 mil acabaram não sendo utilizados no suborno, já que os juízes, assustados com a repercussão do caso, recusaram a propina.  Em janeiro de 2019, a namorada do doleiro, Myra de Oliveira Athayde, foi ao Paraguai pegar a quantia, que seria utilizada para custear a vida do casal no Brasil.

O doleiro afirmou que sua proximidade com Cartes era tanta que, acompanhado de seu filho, chegou a visitá-lo em sua residência oficial.

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O doleiro Dario Messer

O doleiro Dario Messer

Foto: Reprodução/TV Brasil

Messer contou que, em 1994, emprestou US$ 13 milhões (cerca de R$ 70 milhões) a Cartes - que conhecia desde os anos 1980 -, para que este pudesse salvar seu Banco Amambay (hoje Basa). Ele disse que recebeu três fazendas como parte do pagamento. Hoje senador vitalício, Cartes ficou na presidência até agosto de 2018.

No depoimento, prestado no último dia 19 de junho, Messer afirmou ter sido informado de que seria alvo de uma operação no Brasil, a  Câmbio Desligo, mas não sabia a data em que seria deflagada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Assim que a investigação foi divulgada (em maio de 2018), Messer decidiu fugir.

Graças à colaboração de amigos, ele, que temia ser preso no Paraguai, conseguir chegar a Jundiaí (SP), em 22 de setembro de 2018. Ele saiu  de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, de lá foi para a vizinha de Ponta Porã (MS) e de lá embarcou num pequeno avião.

Messer foi preso em julho de 2019 em São Paulo, onde vivia com a namorada. Em abril de 2020, ele obteve a prisão domiciliar - segundo o Ministério Público Federal, a delação premiada foi negociada quando ele já estava fora da cadeia.

Para que a delação fosse aceita, Messer assumiu o compromisso de devolver R$ 1 bilhão, em dinheiro e em bens. Aceitou também uma pena de 18 anos 9 nove meses - dois anos em regime fechado. 

Se não fechasse o acordo, o "doleiro dos doleiros" correria o risco de ser condenado a penas sucessivas, que poderiam chegar a mais de 200 anos de prisão.