Presidente do PSDB diz que partido não quer liderar o Centrão

Bruno Araújo criticou também a atuação do governo na área econômica que, segundo ele, "deixa a desejar"

Da CNN, em São Paulo
18 de agosto de 2020 às 18:30

Presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, afirmou em entrevista à CNN que o partido não quer liderar o Centrão, conjunto de partidos que, disse ele, "nitidamente entrou na base" do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Temos boas relações com muitos desses partidos no plano local, mas no nacional não está no extrato do partido [PSDB] essa aliança”, falou.

O PSDB enviou, na segunda-feira (17), ao conselho de ética do partido, o pedido de expulsão do deputado Celso Sabino (PA) por ter sido indicado pelo Centrão ao cargo de líder da maioria na Câmara.

"Eu dei declarações públicas que, fosse confirmado, haveria providências. A indicação se confirmou no dia seguinte, e não houve nenhuma medida por parte do parlamentar para dizer que não aceitava. Eu fiz o que alertei no dia anterior, e o PSDB vai analisar na quinta (21)", falou.

"Acho que a posição estabelecida pelo Executivo na quinta vai criar um marco definitivo do que o PSDB, enquanto partido, quer na relação com o governo Bolsonaro".

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Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB durante entrevista para a CNN (18.ago.2020)
Foto: CNN Brasil

Perguntado se o PSDB faz oposição ao governo federal, Araújo pontuou que o partido faz oposição ao estilo do presidente com relação ao enfrentamento às instituições e ao negacionismo da pandemia do novo coronavírus, por exemplo.

Já com relação às pautas da economia, ele disse que seu partido é “colaborativo”, mas que, apesar de compactuar com muitas pautas econômicas, o governo "também deixa a desejar" nessa área.

Ele citou ainda sobre as “agressões gratuitas” que o ministro da Economia, Paulo Guedes, faz, sobretudo em relação ao PSDB – “um dos partidos que mais entregas fez”.

“No próprio processo de privatização, o PSDB, ao longo de 8 anos de governo federal, estatizou 65 empresas. A equipe de Paulo Guedes está em zero”, lembrou.

Araújo falou ainda que o partido não apoiará a criação de uma “nova CPMF”. "O PSDB não vai apoiar a criação de impostos", reiterou.

Sobre a eleição presidencial de 2022, Araújo falou que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), “é o candidato mais forte do partido”.

No entanto, explicou que o PSDB chegará à disputa com alternativas para serem apresentadas no quadro de alianças, que possam oferecer possibilidades de centro, segundo ele, “longe de radicalismo de direita e de esquerda”.

(Edição: Sinara Peixoto)