Bolsonaro sobre resposta a repórter: 'O que está feito está feito'

Presidente disse não se arrepender de dizer 'vontade de encher sua boca de porrada' ao ser perguntada sobre depósitos de Queiroz na conta de Michelle Bolsonaro

Da CNN, em São Paulo
26 de agosto de 2020 às 20:01 | Atualizado 26 de agosto de 2020 às 20:04

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou não ter se arrependido da resposta que deu um repórter do jornal "O Globo", que o indagou no último domingo sobre depósitos feitos por Fabrício Queiroz na conta da esposa, Michelle Bolsonaro. No ocasião, Bolsonaro disse: "Vontade de encher tua boca na porrada".

Nesta quarta-feira (26), após a cerimônia de religamento do alto-forno 1 da Usiminas, em Ipatinga (MG), o presidente foi perguntado se ele se arrependia da fala. 

"Não tem arrependimento aqui. O que eu falei, já tá falado. Com todo o respeito, não tem uma pergunta decente para fazer?! Pelo amor de Deus! 'Ah, você se arrepende?' Ah, pelo amor de Deus. O que está feito está feito. Lamento, se eu pisei na bola, lamento. Toca o barco", afirmou.

O presidente foi a Ipatinga para o religamento do forno da Usiminas. "Estou muito feliz de estar como uma empresa como essa, um orgulho nacional e uma das melhores empresas do Brasil, que leva divisas, traz divisas e produz aqui o que interessa a nossa construção de maneira geral", afirmou Bolsonaro.

A siderúrgica reativou nesta quarta seu principal reator químico, o alto-forno 1, que estava desativado desde abril em consequência da crise provocada pelo novo coronavírus.

Em discurso no evento, Bolsonaro disse discordar da proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, de acabar com o abono salarial e afirmou que o projeto Renda Brasil, apresentado a ele, na véspera, pela equipe econômica não será enviado ao Congresso.

Leia e assista também:

Bolsonaro diz que discorda de propostas de Guedes para o Renda Brasil

'Vontade de encher tua boca de porrada', diz Bolsonaro a jornalista

Michelle Bolsonaro recebeu ao menos R$ 72 mil de Queiroz entre 2011 e 2016

"Bem como, quando se fala na imprensa, onde [sic] discutimos a possível proposta do Renda Brasil. Ontem, falei: 'tá suspenso, vamos voltar a conversar'. A proposta que a equipe econômica apareceu pra mim não será enviada ao Parlamento", afirmou. 

"Não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos. Não podemos fazer isso aí. Como por exemplo a questão do abono para quem ganha até 2 salários mínimos. Seria, né, um 14º salário. Não podemos tirar isso de 12 milhões de pessoas para dar para um Bolsa Família ou Renda Brasil, seja lá o que for o nome desse novo programa", completou.

O presidente também disse que a única forma de o país evitar o "insucesso" é começar a produzir e a gerar empregos, definidos por ele como o "melhor programa social que existe". 

Sobre o auxílio emergencial de R$ 600 pago pelo governo federal em razão da pandemia do novo coronavírus, o presidente voltou a dizer que o valor que será pago, até dezembro, na segunda prorrogação do benefício ainda, está em discussão com a equipe econômica.

"Não podemos, ad eternum, bancar 65 milhões de pessoas com R$ 600, R$ 1.200 e algumas até com R$ 1.800 por mês. Resolvemos então, estendê-lo até dezembro. O valor não será R$ 200 nem R$ 600", afirmou.

(Edição: Marina Motomura)