Lava Jato pede à PGR que prorrogue força-tarefa no Paraná por mais um ano

Segundo integrante da equipe, o cenário “não é bom” e que há grande receio de que os trabalhos em Curitiba sejam interrompidos

Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
27 de agosto de 2020 às 10:21 | Atualizado 27 de agosto de 2020 às 14:33

A Lava Jato solicitou à Procuradoria-Geral da República que prorrogue por mais um ano a força-tarefa em Curitiba. 

O ofício com o pedido, que a CNN teve acesso, foi enviado a Augusto Aras na quarta-feira, 26. Ele ocorre num momento em que há dúvidas sobre o desejo do procurador-geral de alongar os trabalhos no Paraná. Aras tem até o dia 10 de setembro para decidir se a força-tarefa seguirá ou não. 

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O atual procurador-geral da República, Augusto Aras
Foto: Pedro França/Agência Senado

No documento, Deltan Dallagnol e outros procuradores lotados no Paraná pontuam “a importância da continuidade do apoio institucional”, argumentam que o pedido está em linha com os anteriores e lembram que, pelos bons resultados, a força-tarefa da Lava Jato já foi prorrogada sete vezes.

O grupo foi montado em 2014 por decisão de Rodrigo Janot e seu término foi sendo adiado desde então. Raquel Dodge, que antecedeu Aras, também prorrogou o funcionamento da força-tarefa.

Para sustentar o pedido de prorrogação, a força-tarefa no Paraná diz que quatro novas fases da Lava Jato estão sendo preparadas e há ainda cinco “grandes acordos de colaboração e leniência” já assinados ou com negociação em aberto. Desde 2014, houve 72 fases da operação.

O grupo afirma ainda que, no momento, há cerca de 400 investigações em andamento e há um trabalho extenso ainda de análise da quebra de sigilos bancários e fiscais - já foram mais de 700 pedidos desse tipo.

Um integrante da força-tarefa afirmou à coluna que o cenário “não é bom” e que há grande receio de que os trabalhos em Curitiba sejam interrompidos. 

Aras iniciou há alguns meses uma ofensiva contra a Lava Jato, com críticas públicas aos métodos do grupo e solicitação para ter acesso ao banco de dados da operação. O procurador-geral argumenta que os dados têm de ser compartilhados dentro do Ministério Público. 

Em julho, atendendo à solicitação de Aras, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, havia determinado que a Lava Jato franqueasse acesso ao seu banco de dados. Um grupo da PGR chegou a iniciar a cópia do material em Curitiba. A decisão foi revertida, no entanto, pelo ministro Edson Fachin e o compartilhamento foi interrompido.

A Lava Jato vinha pleiteando, na verdade, o aumento do número de servidores na força-tarefa do Paraná, sob o argumento de que, enquanto o time ficou mais enxuto, houve crescimento no volume de trabalho.

“A média mensal de trabalho em 2020 aumentou 35% em relação a 2019, enquanto o número de procuradores se reduziu em 13%. A isso se somou a recente decisão do Exmo. Vice-Procurador-Geral da República de retirar a exclusividade do trabalho de um dos procuradores no caso. Essas mudanças, assim como dificuldades relacionadas à pandemia e ao passivo, impactam trabalhos relevantes em andamento”, diz trecho do documento.

Segundo o grupo, a Lava Jato no Paraná gerencia mais de 200 colaborações premiadas e o pagamento de R$ 14 bilhões por colaboradores.

“Os 27 bacharéis (entre assessores e procuradores) que atuam nesta força-tarefa fazem frente ao trabalho de mais de 700 advogados dos 532 acusados, que peticionam em ritmo diuturno, em geral com alta qualidade técnica”, diz o ofício.