Witzel repassou R$ 15 mil em dinheiro vivo antes de operação da PF, diz delator

Governador teria repassado R$ 15 mil em espécie a Pastor Everaldo

Daniel Adjuto
Daniela Lima
Renata Agostini
29 de agosto de 2020 às 16:42 | Atualizado 29 de agosto de 2020 às 20:32

Dias antes de a Operação Placebo ganhar as ruas, em 26 de maio, o governador Wilson Witzel repassou R$ 15 mil em espécie a Pastor Everaldo, presidente do PSC, segundo relato de Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do Rio. A movimentação financeira teria ocorrido dentro do Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. 

De acordo com Santos, que fechou acordo de colaboração premiada, foi o próprio Pastor Everaldo quem contou sobre o dinheiro. O presidente do PSC teria relatado que Witzel demonstrara temor de que policiais encontrassem os recursos durante operação de busca.

“Trata-se de provável tentativa de esconder valores supostamente ilícitos, angariados em espécie (prática usual utilizada por grupos criminosos para evitar o rastreamento do dinheiro)”, diz trecho da decisão do ministro Benedito Gonçalves, do STJ, na qual ele decretou a prisão preventiva de seis investigados e o afastamento de Witzel do cargo de governador.

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O delator narrou ter sido chamado à sede do partido no dia “19 ou 20 de maio” para uma conversa com Everaldo. Na ocasião, o dirigente descreveu o repasse do dinheiro como forma de demonstrar que mantinha relação de confiança com o governador.

A Placebo foi deflagrada em 26 de maio. Antes dela, a Favorito já havia avançado sobre o grupo de Witzel. Para os investigadores, o grupo já sabia que estava monitorado desde abril.

Segundo o Ministério Público Federal, pastor Everaldo comanda vastas contratações e orçamentos no governo do Rio. Os investigadores cruzaram elementos colhidos com a delação de Edmar Santos e relatórios de inteligência do COAF e identificaram que o pastor utiliza os filhos no esquema. 

O pagamento de R$ 15 mil pelo governador Wilson Witzel a Everaldo às vésperas da operação Placebo ocorreu, segundo salienta o ministro na decisão, “ante o temor de buscas e apreensões no Palácio Laranjeiras”.

Segundo o Ministério Público Federal, pastor Everaldo comanda vastas contratações e orçamentos no governo do Rio. Os investigadores cruzaram elementos colhidos com a delação de Edmar Santos e relatórios de inteligência do COAF e identificaram que o pastor utiliza os filhos no esquema. 

O pagamento de R$ 15 mil pelo governador Wilson Witzel a Everaldo às vésperas da operação Placebo ocorreu, segundo salienta o ministro na decisão, “ante o temor de buscas e apreensões no Palácio Laranjeiras”.