Cozinheira de Cabral recebeu R$ 1 mi de desvios do Sistema S, dizem procuradores

Segundo afirmam os procuradores, os desvios com os “funcionários fantasmas” de Cabral totalizam R$ 5,8 milhões

Maria Mazzei e Camille Couto, da CNN no Rio de Janeiro
09 de setembro de 2020 às 12:23 | Atualizado 09 de setembro de 2020 às 14:58

Em acordo de delação premiada negociado com procuradores do Ministério Público Federal, Orlando Diniz, então presidente do Sesc e Senac no Rio, revelou que a pedido de Sérgio Cabral, contratou entre 2003 e 2017 funcionários do ex-governador do Rio de Janeiro para dificultar o rastreio do dinheiro desviado do Sistema S fluminense. A força-tarefa da Operação Lava Jato realiza a operação "E$quema S" contra escritórios de advocacia acusados de desviar pelo menos R$ 151 milhões do Sistema S fluminense, composto por Sesc, Senac e Fecomércio.

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Segundo afirmam os procuradores, os desvios com os “funcionários fantasmas” de Cabral totalizam R$ 5.812.634,66. A delação indica que a  chefe de cozinha do ex-governador, Ana Rita Menegaz, recebeu mais de R$ 1 milhão e a secretária pessoal do ex-governador Sônia Ferreira Batista, mais de R$ 800 mil.  

“Entre os anos de 2003 a 2017, Orlando Diniz contratou, como presidente do Sesc e do Senac Rio, várias pessoas a pedido de Sérgio Cabral sem que elas efetivamente prestassem qualquer serviço às entidades paraestatais, em repasses que totalizaram R$ 5.812.634,66. Foram contratados os seguintes “funcionários fantasmas” (ou “jabutis”), a secretária pessoal do ex-governador Sônia Ferreira Batista, que recebeu indevidamente o total de R$ 846.814,21; a chefe de cozinha do ex-governador Ana Rita Menegaz, que recebeu o total de R$ 1.597.701,59; Carla Carvalho Hermansson, que recebeu o total de R$ 1.546.565,57; Ione Brasil Macedo, que recebeu o total de R$ 602.490,09; e, Gladys Silva Falci de Castro, que recebeu o total de R$ 1.219.063,20, sendo certo que estas três últimas são irmã e esposas, nessa ordem, de Wilson Carlos, Ary Filho e Sérgio de Castro, que, como visto, eram os operadores financeiros de Sérgio Cabral”, detalham os procuradores do MPF. 

No documento, o MPF não esclarece se os funcionários pessoais de Cabral tinham ou não conhecimento de estarem sendo usados no esquema de desvios. Todos ainda serão ouvidos pelos procuradores.  Wilson Carlos, Ary Filho e Sérgio de Castro já foram presos em outros operações da Lava Jato. 

Na denúncia de 510 páginas, o MPF descreve como era operado o desvio no Sietema S fluminense, composto por Sesc, Senac e Fecomércio, que envolvia o uso de contratos falsos com escritórios advocacia. Os serviços declarados não eram prestados, mas remunerados por elevados honorários por essas entidades representativas. As investigações mostraram que as instituições destinaram mais de 50% de seu orçamento anual a contratos com os escritórios de advocacia envolvidos, acusados de desviarem pelo menos R$ 151 milhões.

De acordo com a força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio, os valores podem ser ainda maiores, já que são investigados possuem contratos que somam R$ 355 milhões.

Outro lado

Por meio de nota, a Fecomércio/RJ informou que sua atual administração, eleita em abril de 2018, “está totalmente comprometida com o esclarecimento dos fatos e vem colaborando com as autoridades para que a investigação possa ser realizada da melhor forma”.

Em nota, a defesa de Sérgio Cabral informou que o ex-governador é colaborador da Justiça com acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Sobre esses fatos, dizem os advogados, ele já prestou esclarecimentos à Polícia Federal e entregou provas de corroboração.