Objetivo da operação foi desviar foco de arbitrariedades da Lava Jato, diz Zanin

Alvo de operação de hoje, advogado de Lula nega ilegalidades e diz que delação foi forjada para atingir alvos pré-determinados

Anna Satie, da CNN em São Paulo
09 de setembro de 2020 às 19:51 | Atualizado 09 de setembro de 2020 às 20:23

Um dos alvos da operação E$quema S, conduzida nesta quarta-feira (9), o advogado Cristiano Zanin negou qualquer ilegalidade e disse que o mandado de busca e apreensão tinha como objetivo macular sua reputação e desviar foco de supostas ilegalidades da Lava Jato.

"Temos absoluta condição de demonstrar o trabalho que foi realizado. Não sei por que o MPF não pediu ao escritório antes de fazer esse espetáculo na data de hoje. Ou melhor, eu sei, o objetivo era promover espetáculo, atacar a minha reputação e desviar o foco do que está acontecendo hoje, que escancara as arbitrariedades da Lava Jato", disse ele em entrevista à CNN

Zanin, que faz parte da defesa do ex-presidente Lula, afirmou que a contratação de seu escritório foi por uma entidade privada e que os advogados não administram nada. 

"Não pode haver confusão do papel do advogado e do cliente constuinte. Quem administra são pessoas eleitas por seus pares, nesse caso, o ex-presidente da Fecomércio foi eleito para fazer a gestão daquela instituição", disse.

"O que o Ministério Público quis fazer nessa denúncia foi transformar num órgão público, como se fosse algo administrado e gerido por advogados, o que é absurdo".

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O que dizem os citados na Operação E$quema S

Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente Lula em entrevista à CNN (09.set.2020)
Foto: CNN Brasil

Além dele, a E$quema S também mirou o ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Eduardo Martins, filho do atual presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, e Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do TCU (Tribunal de Contas da União).

Zanin também negou ter indicado os filhos dos ministros para atuação no processo e ter qualquer relação com eles. 

Para ele, a denúncia tem caráter político. "É uma gama de mentiras produzidas pela Lava Jato para tirar foco do momento processual que estamos vivendo, das decisões do STF, do acesso que obtivemos ao acordo de leniência da Odebrecht, que seguramente vai demonstrar os atos ilegais da Lava Jato. A operação teve como objetivo intimidar os advogados, intimidar a defesa do presidente Lula porque estamos em um momento decisivo do processo". 

O advogado afirmou também que Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio no Rio de Janeiro, cuja delação embasou a operação desta quarta, teria sido forçado a incluir seu nome no depoimento para obter os benefícios que desejava.

"Lamento que tenha sido obrigado a fazer referência ao meu nome. A delação contém um extenso rol de mentiras, porque o que se buscava era atacar alvos pré-definidos".