Após ausência, defesa de Flávio Bolsonaro sugere acareação em outubro

Procedimento estava marcado para esta segunda-feira, mas só Paulo Marinho compareceu; senador alegou compromisso no Amazonas

Iuri Corsini*, da CNN, do Rio de Janeiro
21 de setembro de 2020 às 18:01 | Atualizado 21 de setembro de 2020 às 21:15

A defesa de Flávio Bolsonaro entrou com um pedido, nesta segunda-feira (21), para que a acareação entre o senador e Paulo Marinho seja realizada em 5 de outubro, no gabinete de Flávio, em Brasília. 

A acareação foi marcada pelo MPF para esta segunda-feira, às 15h, na sede do MPF no Centro do Rio. Porém, apenas Paulo Marinho compareceu ao local.

Segundo o advogado de Flávio, Rodrigo Roca, o parlamentar está hoje em uma agenda no estado do Amazonas. Por ser senador, Flávio Bolsonaro tem prerrogativa de função e pode escolher local e dia do depoimento. 

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A acareação é referente a um possível vazamento de informações quando da Operação Furna da Onça, deflagrada pela Polícia Federal no dia 8 de novembro de 2018.

A investigação foi um desdobramento da Operação Lava Jato no estado do Rio de Janeiro, baseada na delação premiada de Carlos Miranda e das provas obtidas por meio das colaborações dos doleiros Cláudio Barbosa e Vinícius Claret (o Juca Bala).

A PF investigou a participação de deputados estaduais  em um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e de mão de obra terceirizada em órgãos do Estado.

De acordo com Miranda, um grupo de parlamentares recebia mensalmente quantias que variavam entre R$ 20 mil a R$ 100 mil para dar apoio ao grupo político que comandava o Estado.  

Durante a investigação, os policiais receberam um levantamento do Coaf e o nome do Fabrício Queiroz, então assessor parlamentar de Flávio Bonsonaro, constava na lista como movimentação atípica. Queiroz não era alvo da investigação, mas a movimentação financeira dele era incompatível com o que ganhava e isso chamou a atenção dos policiais. 

Logo depois, o então suplente de Flávio Bolsonaro, Paulo Marinho, afirmou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que o senador foi avisado por um delegado da Polícia Federal sobre a investigação e que poderia atingir seu assessor parlamentar.  

Flávio também não era algo da investigação. Ainda de acordo com Marinho, após ter sido informado da operação, Flávio exonerou Queiroz de seu gabinete. O senador nega as acusações.

Marinho repetiu as afirmações ao MPF e à PF. Para o Ministério Público, um dos dois está mentindo e o motivo da acareação é justamente tentar descobrir qual das versões é a verdadeira. 

Procurado o MPF ainda não se manifestou. 

Íntegra da nota da defesa

A defesa do Senador Bolsonaro esclarece que a sua ausência no ato de hoje se deveu a compromissos da sua agenda oficial, que o fizeram estar no Amazonas nesta data. 

Essa possibilidade foi levantada há cerca de um mês, por escrito, diretamente ao MPF, que não quis alterar a data apesar de expressa disposição legal. Hoje a defesa ingressou com nova petição, sugerindo a data de 05/10/2020 para a realização do ato. 

Quanto à tese de crime de desobediência insinuada pela Procuradoria, é lamentável sob vários aspectos. Nem o Procurador da República poderia dar ordem ao Senador e nem essa “ordem”  seria legal, pelo que constituiria uma impropriedade técnica com poucos precedentes na história do Judiciário Fluminense.

*Sob supervisão de Maria Mazzei