FHC: Reeleição agravou abuso de poder e deve ser revista no Brasil


Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo
23 de setembro de 2020 às 22:19 | Atualizado 23 de setembro de 2020 às 22:40

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta quarta-feira (23), em entrevista à CNN, que a reeleição para cargos executivos não deu certo no Brasil e deve ser revista. FHC defende a substituição do atual modelo, com até dois mandatos de quatro anos, por apenas um, com cinco anos de duração.

"Eu era favorável à reeleição, mas hoje, olhando para trás, eu vejo que nós agravamos uma tendência, que é a de abusar do poder", afirmou o ex-presidente em entrevista ao âncora William Waack.

A reeleição foi aprovada em 1997 e possibilitou que Fernando Henrique Cardoso fosse reeleito presidente no ano seguinte.

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Segundo o ex-presidente, a emenda da reeleição envolvia "muitos interesses", incluindo o de forças políticas que queriam evitar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito de 1998 e governadores e prefeitos que também queriam poder disputar um segundo mandato naquela eleição.

Fernando Henrique Cardoso

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso

Foto: CNN (23.set.2020)

Lava Jato

O tucano disse não ter "espírito lavajatista", mas defendeu a Operação Lava Jato. 

"A Lava Jato botou na cadeia ricos e poderosos e isso é um mérito no Brasil. Ela deu o exemplo de que é possível que os juízes atuem em prol do bem público. Em tese, eu acho que a Lava Jato foi positiva para o Brasil", afirmou FHC.

Ele disse não rejeitar hipóteses de que haja abusos na operação, que devem ser julgados, e afirmou não acreditar em acusações que são imputadas a parte dos nomes do PSDB que são citados, como o senador José Serra (PSDB-SP).

Ainda sobre o Poder Judiciário, o ex-presidente defendeu a revisão da prática da transmissão das sessões do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria contribuído para transformar os ministros do STF em personalidades da sociedade brasileira. "Aqui no Brasil houve uma exposição demasiada do Judiciário", opinou.