Frederick Wassef e mais 4 viram réus por peculato e lavagem de dinheiro

Segundo MPF, esquema aconteceu por meio de contratos fictícios firmados pela Federação do Comércio (Fecomércio-RJ) com escritórios de advocacia

Renata Agostini
Por Renata Agostini, CNN  
30 de setembro de 2020 às 15:26 | Atualizado 30 de setembro de 2020 às 19:02

A Justiça Federal aceitou a denúncia feita pela Lava Jato do Rio e tornou réus o advogado Frederick Wasseff e outros quatro alvos da Operação E$quema S. Wassef já representou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Segundo o Ministério Público Federal, eles praticaram os crimes de peculato e lavagem de dinheiro. As investigações apontaram que foram R$ 4,6 milhões desviados do Serviço Social do Comércio (Sesc), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) do Rio entre dezembro de 2016 e maio de 2017.

O esquema, ainda de acordo com os investigadores, aconteceu por meio de contratos fictícios firmados pela Federação do Comércio (Fecomércio-RJ) com escritórios de advocacia.

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Foto de arquivo de 19 de junho de 2019 de Frederick Wassef, advogado de Flávio Bolsonaro, durante entrevista em São Paulo.
Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Além de Wassef, se tornaram réus também o empresário Marcelo Cazzo, as advogadas Luiza Nagib Eluf e Marcia Carina Castelo Branco Zampirom — todos negam ter praticado qualquer irregularidade. Outro réu é o ex-presidente da Fecomércio-RJ Orlando Diniz, que delatou o esquema.

A denúncia foi recebida pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Outra ação que veio dessa mesma operação já tramita nessa vara vara e envolve 26 pessoas.

Segundo a juíza Caroline Vieira Figueiredo, há um amplo conjunto de provas. Entre elas, análises da Receita Federal sobre movimentações reveladas a partir da quebra judicial de sigilos bancários, além de declarações de um dos réus, o colaborador Diniz.

Outro lado

Em nota, Marcia Zampirom afirmou acreditar que sua inocência será reconhecida e que não teve a oportunidade de demonstrar a regular prestação de serviços à Fecomercio-RJ. " A advocacia tem sido criminalizada, sem que sequer se dê aos advogados o direito de demonstrarem que prestaram serviços regulares. A simples palavras de delatores parecem se sobrepor ao princípio da presunção da inocência."