Jair Bolsonaro volta a repetir que o seu governo não precisa de Lava Jato

Presidente afirma que o governo não precisa de forças tarefas porque não tem ministro corrupto, então não são necessárias investigações

Da CNN, em São Paulo
10 de outubro de 2020 às 18:09 | Atualizado 10 de outubro de 2020 às 18:09
O presidente Jair Bolsonaro: Lava-Jato, segundo o presidente, não é mais necessária
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil(24.fev.2020)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, mais uma vez, que a Lava Jato não é mais necessária. Afinal, segundo ele, o governo não precisa de forças tarefas porque não tem ministro corrupto, então não são necessárias investigações. “No meu governo não precisa de Lava Jato”, disse ele.

Além disso, o presidente também reiterou que não há a possibilidade de qualquer tipo de intervenção na Política Federal. “Alguns acham que eu poderia interferir na PF, mas nenhum presidente pode interferir”, completou.

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Bolsonaro também voltou a criticar rivais, como o seu rival na eleição de 2018, o petista Fernando Haddad. De acordo com o presidente, se Haddad tivesse vencido a eleição, o país estaria até agora em quarentena total.

“O PT usaria o lockdown como caminho para o socialismo”, afirmou.

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, também foi um dos alvos. Sem citar o nome de Mandetta, Bolsonaro o chamou de “ministro marqueteiro” e defendeu, mais uma vez, o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Em suas contas, 30% das mortes teriam sido evitadas.

A cloroquina e a hidroxicloroquina não tem comprovação científica que funcionam no combate à Covid-19.

A escolha de Kássio Nunes para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal também foi comentada. Bolsonaro disse que Nunes tem perfil conservador e a escolha não foi só pelo currículo.

Segundo o presidente, “foram 14 anos de PT e tem muita gente boa que passou” pelo partido. Não por acaso, ele mantém pessoas que trabalharam em governos petistas, ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

Tereza Cristina e o 'boi bombeiro'

Bolsonaro concordou com a fala da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que afirmou na sexta-feira (9) que o “boi é o bombeiro do Pantanal” e que, “se tivesse mais gado, o desastre teria sido menor”, porque o animal come a matéria orgânica que se transforma em insumo para os incêndios.

Ele culpou a pressão de ambientalistas contra a pecuária no bioma pelo aumento das queimadas. E emendou sua fala para comentar a questão indígena.

Disse que não quer “matar o índio”, mas questionou se as pessoas sabiam o quanto de área era demarcada para essa população. Segundo ele, equivale a uma área maior que a região Sudeste.

“Quanto mais terras demarcadas, é mais terra que você não vai usar para, por exemplo, para a agricultura.” Para o presidente, isso é um “absurdo”, porque essa região abrange a “maior área de mineração do mundo”.

com informações de Noeli Menezes e Cecília Gelenske da CNN, em Brasília