Radar Político: Licença de Chico Rodrigues desarma crise entre Senado e STF

Pedido 'irrevogável e irretratável' do parlamentar para se afastar da função por 90 dias evitará embate entre possível decisão do STF e votação para ratificá-la

Murillo Ferrari Da CNN, em São Paulo
20 de outubro de 2020 às 12:16

No quadro Radar Político, na CNN Rádio, nesta terça-feira (20), Fernando Molica e Igor Gadelha falam sobre as consequências da licença de 90 dias pedida pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR).

Para Molica, a licença protocolada senador foi a melhor solução para o caso pois desarma o risco de uma crise institucional entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Havia uma situação muito delicada, porque mesmo que o afastamento do senador fosse confirmada pelo plenário do STF, teria que ser ratificado pelo plenário Senado em votação aberta”, afirmou.

“Por mais amigos e corporativistas que fossem os senadores, derrubar a versão do Supremo em um caso tão patético como esse ia ser muito complicado. Pelo menos agora, o senador Chico Rodrigues tomou uma decisão sensata para tentar deixar as coisas esfriarem um pouco.”

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Já Gadelha explicou que a licença do senador foi “costurada” na segunda-feira (19) em uma série de reuniões na residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). “Havia uma expectativa que a licença fosse de 120 dias ou mais, porque com isso seria convocado o primeiro suplente do Chico Rodrigues, que é o filho dele, Pedro Rodrigues”, disse.

“O senador optou pelos 90 dias, que é o mesmo período que o ministro [do STF] Luís Roberto Barroso havia mandado ele se afastar. E fez uma sinalização muito importante no pedido de licença protocolado no Senado: que ela é irrevogável e irretratável. O objetivo é fazer com que o Supremo desista de julgar amanhã [quarta-feira (21)], em plenário, a decisão do ministro Luís Roberto Barroso”, completou.