Waack: politização da vacina é prejudicial ao interesse do público

Maioria dos eleitores é pragmática e quer sua vida mais segura, mais confortável e vê essa espetacularização, no mínimo, com indignação

Da CNN
22 de outubro de 2020 às 08:29

No quadro CNN Poder desta quinta-feira (22), na CNN Rádio, William Waack analisa a politização da vacina contra a Covid-19 que, para ele, serve aos interesses político-eleitorais desse ou daquele agente político, “mas pouquíssimo ao necessário anseio das pessoas que estão preocupadas com saúde pública”.

“Eu estou, como outras milhões de pessoas – por fazer parte do grupo de risco –, ainda mais ansioso e esperançoso de que o fim do pesadelo dessa pandemia chegue através de uma vacina que seja confiável, que seja colocada à disposição de milhões de seres humanos no Brasil”, disse Waack.

O jornalista endossou a tese apresentada pelo professor Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) no Jornal da CNN de quarta-feira (21): o presidente Jair Bolsonaro tem três desafetos: a ciência, o João Doria e a China. “E aí a vacina juntou os três em um só.”

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“O espetáculo da politização foi muito além da legitimidade. Passou a ser prejudicial ao interesse do público. E aí a pergunta que se faz é a pergunta política – vou deixar de lado aqui as questões morais e éticas: Quem sai ganhando com isso?”, questionou. 

Para ele, o público não leva vantagem nessa disputa entre Bolsonaro e Doria. E, possivelmente, nem o próprio presidente se beneficia também.

“Me parece que o eleitor, na sua grande maioria – não os que estão nessa ou naquela franja da polarização – é pragmática. Quer soluções, quer a vida dele mais segura, mais confortável. Quer ter emprego, quer ter saúde. Quer que pessoa da sua família, ao seu redor, vivam bem”, afirmou. 

“E este eleitor, como que vê esse espetáculo? Eu posso adiantar: no mínimo, com muita indignação.”

William Waack conduz o CNN Poder, na Rádio CNN
Foto: CNN Brasil

(Edição: André Rigue)