Radar Político: Ministros fizeram as pazes em público, mas continuam irritados 

Apesar da retratação pública, disputa entre Ricardo Salles e Luiz Eduardo Ramos deve continuar nos bastidores

Da CNN
26 de outubro de 2020 às 12:20 | Atualizado 26 de outubro de 2020 às 12:26

No quadro Radar Político, na CNN Rádio, nesta segunda-feira (26), Fernando Molica e Igor Gadelha falam sobre a relação entre os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo.

“Publicamente, está tudo apaziguado. Os dois foram às redes sociais no fim de semana para dizer que era assunto encerrado. O ministro Ricardo Salles chegou a pedir desculpas por ter chamado o ministro Luiz Eduardo Ramos de "Maria fofoca", disse Gadelha.

“Mas, nos bastidores, a gente sabe que a guerra vai continuar. Esse tuíte do Salles na semana passada só expôs uma briga que já tinha acontecendo há semana entre a chamada ala militar do governo e o titular do meio ambiente”, completou.

Ele explicou que, por um lado, os militares não concordam com a forma como Salles conduz os assuntos no Ministério do Meio Ambiente. Por outro, o titular da pasta não gosta da “fritura” a qual é submetido nos bastidores.

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“O certo é que houve essa disputa, ela deve continuar nos bastidores. Publicamente está tudo calmo, mas os dois lados seguem muito irritados um com o outro.” Já Molica destacou que esse episódio destacou a proximidade do ministro com o lado “raiz” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

“Quando a gente pensa na campanha eleitoral, a gente vê que o discurso e a prática do Ricardo Salles são muito mais próxima ao que pensava e dizia o então candidato Jair Bolsonaro do que a prática implementada pelo general Ramos, que foi uma visão mais política do governo, mais pragmática, com essa aproximação com o Centrão”, disse.

Cartela Radar Político - Rádio CNN
Igor Gadelha, Caio Junqueira e Fernando Molica comandam o Radar Político, na CNN Rádio
Foto: CNN Brasil

Ou seja, os militares representariam uma ala pragmática, do “botar ordem na casa” e ter boa relação com o Congresso e os ministros, incluindo Salles, essa ala "raiz" — “que é a cara do presidente”, explicou.

Molica ainda afirmou que considera que o verdadeiro partido do presidente seria o “PFB, Partido da Família Bolsonaro”. “Eventualmente tem aquela briga de pai e filho, já brigou com o Carlos, com o Flávio, mas eles formam um bloco.”